Bairros

Já começa a faltar água em Bauru

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A redução do nível do rio Batalha em 21 centímetros, constatada anteontem, já refletiu no abastecimento de Bauru. Ontem, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) recebeu 250 reclamações de falta de água de moradores de vários pontos da cidade, mas a maioria dos casos refere-se ao Jardim Ferraz e Vila Independência.

Apesar de alertar que a situação está crítica, até o final da tarde de ontem a autarquia não havia anunciado a adoção de rodízio ou racionamento. “Vamos verificar como os reservatórios amanhecerão amanhã (hoje). Se a água produzida à noite for suficiente para enchê-los não teremos grandes problemas”, explica Sandra Faria, assessora de imprensa do DAE.

Porém, se os reservatórios não estiveram cheios, a autarquia terá que adotar racionamento ou rodízio. O rio Batalha abastece 43% da cidade (cerca de 137 mil pessoas). Os 57% restantes (178 mil habitantes) recebem água de poços profundos. O forte calor dos últimos dias tem contribuído com a queda de nível do Batalha.

Zilda Guedes Santana, que mora no Jardim Ferraz, sentiu de imediato a falta de água porque não tem reservação em casa. “A água acabou por volta das 9h e só está voltando agora (às 16h). Ontem (anteontem) também faltou e uma das minhas filhas teve que tomar banho na casa de uma amiga. A outra esperou a água voltar, à noite”, relata.

À tarde, Zilda só tinha água no filtro e na geladeira. “Não lavei a louça do almoço nem roupa. Ainda bem que tenho água para beber. Se continuar assim vou estocar em baldes”, completa. Ela afirma que não tem caixa d’água porque a casa não tem estrutura para acomodar o peso. â€œÉ preciso construir pilares e comprar a caixa e nesse momento não temos dinheiro”, diz.

Já a casa de Isabel Cristina Venceslau, que mora na quadra 23 da avenida Castelo Branco, não chegou a ficar desabastecida. “Eu sei que faltou água porque a torneira da máquina de lavar é ligada diretamente da rua. Mas como tenho duas caixas d’água de 500 litros cada uma, não está faltando”, conta.

Preocupada com a possibilidade de ficar sem água, ela garante que está economizando. “Já estou pegando no pé das crianças para tomarem banhos mais rápido e não deixei que enchessem a piscina que tenho no quintal”, relata.

Sílvia Mendes Barbosa, outra moradora da Vila Popular Ipiranga, tem reservação de 500 litros, mas está preocupada. “Ainda não faltou água em casa, mas sei que a caixa está baixa. Nem lavei a louça do almoço para economizar. Sem luz a gente fica, mas sem água não dá”, frisa.

A comerciante Alda Fajardo também está preocupada. Dona de um viveiro de mudas na Vila Independência, ela conta que as plantas podem morrer se a falta d’água for constante. “A minha sorte é que reguei as plantas pela manhã, enquanto tinha água. Mas algumas espécies precisam ser molhadas duas vezes por dia”, ressalta.

Enquanto parte da população economiza, alguns moradores esbanjam água. O JC flagrou uma mulher lavando a calçada com o jato d’água, que gasta o produto em excesso, ontem à tarde. A reportagem também recebeu denúncia de que nos Altos da Cidade as telhas de uma casa estavam sendo lavadas com jato, prática que gasta muita água.

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