Política

Comdema vê retrocesso em projeto

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O presidente do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Bauru (Comdema), engenheiro David Geraldo Pompei, faz um alerta: o órgão corre risco de sofrer um retrocesso em suas atividades caso a Câmara Municipal aprove projeto de lei que retira o seu poder deliberativo.

A proposta, assinada pelos vereadores Toninho Garmes (PSDB) e Paulo Madureira (PPB), já tramita pelas comissões temáticas do Legislativo e deve compor a pauta de votação em breve.

Se aprovada, o Comdema deixará de ser um órgão deliberativo e passará a ser meramente consultivo. Na exposição de motivos, Garmes e Madureira alegam que o conselho está estabelecendo, por resolução, matéria que somente poderia ser regulada por lei.

“As resoluções do conselho são apenas matérias administrativas, propondo diretrizes para determinados fatos com base em legislação vigente”, explica Pompei.

O engenheiro entende que as resoluções não são abrangentes porque cobrem apenas situações específicas e não criam nenhuma lei.

“Como qualquer ato administrativo, estabelecem regras em conformidade com a legislação federal, estadual ou municipal já editada. Aliás, concordamos com os autores do projeto quando dizem que deliberar é decidir sobre um assunto proposto e não legislar. O Comdema não faz e nem tem a pretensão de legislar”, garante.

Retrocesso

Pompei afirma que a proposta do jeito que está vai acarretar “conseqüências negativas” ao município e ao bom funcionamento do conselho.

Segundo ele, a resolução 237 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) - que regulamenta o licenciamento ambiental - estabelece em seu artigo 20 a necessidade do município ter um Conselho Municipal de Meio Ambiente com caráter deliberativo.

“A Medida Provisória 2.166-67 também justifica a atual finalidade do Comdema. Ela diz em seu artigo 4º, parágrafo 2º, que a supressão de vegetação em área de preservação permanente situada em área urbana, dependerá de autorização do órgão ambiental competente, desde que o município possua conselho de meio ambiente com caráter deliberativo”, explica.

O presidente do Comdema informa que o secretário de Estado do Meio Ambiente, José Goldemberg, anunciou, recentemente, projeto de lei que vai transferir aos municípios a responsabilidade pelo licenciamento ambiental de empreendimentos com impactos locais.

“Lembramos que, por exigência da Resolução 37 do Conama, para os municípios estarem aptos a esse tipo de atividade devem ter conselhos de meio ambiente deliberativos”, reforça.

Pompei analisa que a alteração proposta por Garmes e Madureira permitirá que as diretrizes para o licenciamento ambiental em Bauru sejam repassadas para os órgãos do Estado e da União.

“Isso vai na contramão das políticas públicas ambientais. Alterar o caráter do Comdema será um retrocesso, sobretudo ao considerarmos que é uma tendência entre os conselhos municipais tornarem deliberativos.”

Os vereadores Toninho Garmes e Paulo Madureira não foram localizados pela reportagem do Jornal da Cidade para comentarem o assunto.

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