Com o título acima, o jornal “Estado de Minasâ€, domingo, 21 de julho último, página 19, reproduziu texto escrito pelo autor, em 1988, arcebispo Bernard Law, de Boston (EUA), tenente-coronel reformado, conferencista em assuntos de segurança nacional, onde constantemente cita o salmo 33: “Um rei não é salvo pelo seu poderoso exército, assim como um guerreiro não é salvo por sua enorme força.†Com os acontecimentos de 11 de setembro e a posterior retaliação dos Estados Unidos, Bernard Law sentiu-se motivado a atualizar o texto e transformá-lo em epístola, que endereçou a George W. Bush. No documento, o arcebispo Law pede ao presidente Bush que fale a verdade ao povo dos Estados Unidos e explique a eles que o terrorismo se volta contra o país “porque na maior parte do mundo, o governo americano defendeu a ditadura, a escravidão e a exploração humanaâ€. Afirma Law: “Somos alvos dos terroristas porque somos odiados. E somos odiados porque o nosso governo fez coisas odiosas. Se as ilusões acerca do terrorismo não forem desfeitas, então a ameaça continuará até nos destruir completamente.â€
Prossegue Law: “Nenhuma das nossas armas nucleares pode proteger-nos dessas ameaças. Nenhum sistema “guerra das estrelas†(por mais que despejemos trilhões de dólares nele), poderá proteger-nos de uma arma nuclear trazida num barco, avião ou carro alugado.†“Então o que podemos fazer? Não existe nada que possamos fazer para garantir a segurança do nosso povo? Existe. Mas para entender isso, precisamos saber a verdade sobre a ameaça.†“O senhor presidente não contou ao povo americano a verdade sobre o porquê de sermos alvo do terrorismo, quando explicou porque bombardeamos o Afeganistão e o Sudão. O senhor disse que somos alvo do terrorismo porque defendemos os direitos humanos no mundo... Que absurdo, senhor presidente!â€
E continua: “Em quantos países, agentes do nosso governo depuseram líderes eleitos pelos seus povos, substituindo-os por militares ditadores, marionetes desejosos de vender o seu próprio povo a corporações americanas multinacionais?†“Fizemos isso no Irã, quando os marines e a CIA depuseram Mossadegh porque ele tinha a intenção de nacionalizar a indústria de petróleo. Nós substituímo-lo pelo Xá Reza Parhlev, pagamos a sua odiada guarda nacional, Savak, que escravizou e brutalizou o povo iraniano para proteger o interesse financeiro das nossas companhias de petróleo. Depois disso, será difícil imaginar que existam pessoas no Irã que nos odeiem?†“Fizemos isso no Chile. Fizemos isso no Vietname. Mais recentemente, tentamos fazê-lo no Iraque. E, é claro, quantas vezes fizemos isso na Nicarágua e outras repúblicas na América Latina?†“De país em país, o nosso governo obstruiu a democracia, sufocou a liberdade e pisou os direitos humanos. É por isso que somos alvo dos terroristas.†“Esse ódio que semeamos virou-se contra nós para nos assombrar na forma de terrorismo é, no futuro, terrorismo nuclear. Uma vez dita a verdade sobre o porquê da ameaça existir e ter sido entendida, a solução torna-se óbvia.
Nós precisamos mudar as nossas práticas. Livrarmo-nos das nossas armas nucleares (unilateralmente, se necessário) irá melhorar nossa segurança. Alterar drasticamente a nossa política externa irá assegurá-la.†“Em vez de continuar a matar milhares de crianças iraquianas todos os dias, com as nossas sanções econômicas, deveríamos ajudar os iraquianos a reconstruir suas estações elétricas, as suas estações de tratamento de água, os seus hospitais e todas as outras coisas que destruímos e que os impedimos de reconstruir com as nossas sanções econômicas.â€
“Em vez de treinar terroristas e esquadrões da morte, deveríamos fechar a Escola das Américas. Em vez de sustentar a revolta, a desestabilização, o assassínio e o terror em redor do mundo, deveríamos abolir a CIA e dar o dinheiro gasto por ela a agências de assistência.†“Resumindo, deveríamos ser bons em vez de maus. Quem iria tentar deter-nos? Quem iria odiar-nos? Quem iria querer nos bombardear?†“Essa é a verdade, senhor presidente.â€ â€œÉ isso que o povo americano precisa ouvir.†À reflexão dos leitores do JC. (Nicanor Amaro Silva Neto - RG: 7.725.024)