Bairros

Bauruense enfrenta rodízio de água

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru já está recebendo água em sistema de rodízio. Toda a cidade - e não só a região abastecida pelo rio Batalha - faz parte do programa porque, além do nível do manancial ter caído ainda mais, os 28 reservatórios que recebem água de poços estavam com volume baixo ontem.

Porém, até ontem à noite, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) não havia divulgado quais são os bairros que ficarão desabastecidos hoje. Sandra Faria, assessoria de imprensa da autarquia, explica que o rodízio será adotado na região em que os técnicos constatarem que o reservatório que abastece aquela área está com pouca água.

Era o caso, ontem à tarde, da Vila Cardia e da Quinta da Bela Olinda, cujos imóveis localizados nas regiões mais altas estavam sem água. Com o rodízio, o DAE espera alternar o abastecimento entre regiões altas e baixas de cada sistema, de acordo com a disponibilidade de água em cada setor, ressalta a assessoria de imprensa.

A autarquia ainda não havia definido o período do rodízio, mas provavelmente será de um dia com água e um ou dois sem. “Tudo vai depender do nível do reservatório. Assim que o reservatório estiver cheio, com condições de abastecer os pontos mais altos, vamos voltar a mandar água para aquela região. Se o volume baixar de novo, vamos parar outra vez”, explica Sandra.

O presidente do DAE, Luiz Augusto de Castro, decidiu pela adoção do rodízio após ter constatado, junto com o prefeito Nilson Costa (PPS), que o nível do rio Batalha havia reduzido mais e que os reservatórios abastecidos por poços profundos estavam com pouca água.

“O problema aumentou porque, além do Batalha estar baixo, os reservatórios que recebem água de poços estão quase vazios. Todos os poços estão operando 24 horas por dia e, mesmo assim, toda a água retirada é consumida imediatamente. Por causa disso, a água não chega nas regiões mais altas”, explica.

A residência de José Jurandir Gonçalves, morador na Quinta da Bela Olinda, é uma das que estavam sem água. “Estou sem receber uma gota de água desde as 6h de quarta-feira. Na parte baixa do bairro tem água, mas não chega na minha casa”, conta.

Para cobrar providências do DAE, Gonçalves e mais três vizinhos registraram boletim de ocorrência ontem à tarde, no qual relataram a falta de água. Na região da Vila Cardia começou a faltar água ontem.

José Roberto Teresin, morador na Vila Antartica, sabendo do desabastecimento, adotou uma economia rígida. “Aqui em casa não se lava mais roupa e quintal e os banhos são rapidinhos. Temos água na caixa, mas precisamos economizar para cozinhar e beber”, frisa.

A economia rigorosa também estava sendo a alternativa de uma oficina mecânica da Vila Cardia. “Começou a faltar água na quarta-feira e não lavamos mais nenhum carro. Por isso a caixa ainda não está totalmente vazia”, relata Patrícia Fernandes, filha do proprietário da oficina.

Na Vila Cardia, o problema agravou-se porque entrou ar no sistema de distribuição, segundo o presidente do DAE. “Acabou entrando ar no registro porque a água no reservatório era pouca. E para tirar o ar do sistema é preciso suspender a distribuição. Com isso, a situação ficou ainda mais complicada”, conta.

A partir de hoje, o DAE passa a abastecer creches, escolas, unidades de saúde, órgãos públicos e moradores com quatro caminhões-pipa. “Consertamos um caminhão que estava quebrado para ajudar no abastecimento da população”, informa Castro.

Ontem, o DAE recebeu 103 reclamações de falta de água e 150 pedidos de abastecimento por caminhão-pipa. De acordo com a assessoria de imprensa, as equipes iriam trabalhar até a noite para tentar atender todos os pedidos.

• Serviço

Reclamações de falta d’água podem ser feitas pelo telefone 0800-7710195.

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