Após a assinatura do contrato de gestão no Hospital Estadual de Bauru, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o reitor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Carlos de Souza Trindade, tiveram de enfrentar um protesto na saída do prédio.
Eles foram recebidos com faixas, palavras de ordem e até um boneco gigante satirizando Trindade por um grupo de cerca de 30 estudantes da Unesp/Bauru, contrários ao plano de expansão de vagas da Reitoria. De acordo com os estudantes, o plano de levar câmpus da Unesp para mais oito cidades em 2003 iria prejudicar a qualidade das faculdades já existentes.
Durante a coletiva de Alckmin, o estudante de jornalismo Valério Paiva, do Diretório Central dos Estudantes (DCE), questionou o tucano sobre o “sucateamento†da Unesp e da Fatec com o projeto de expansão.
“Eu respeitosamente discordo totalmente, porque nós estamos mantendo para a USP, Unesp e Unicamp o mesmo percentual que a lei estabelece: 9,57%, só que nós estamos colocando recursos a mais, que não precisaríamos colocarâ€, respondeu o governador.
Já do lado de fora, Alckmin disse que encara os protestos com naturalidade. “Isso é democrático, eu já fui estudante, já fiz muita manifestação. Isso faz parte da vida do estudanteâ€, declarou.
O governador conversou com os manifestantes e garantiu que tem um “compromisso†com a universidade pública - a entrega do Hospital para a Unesp de Botucatu seria um exemplo.
Indagado por um estudante sobre uma proposta do deputado estadual Vaz de Lima (PSDB), que instituiria taxas nas universidades, Alckmin foi enfático: “Nós não vamos cobrar nada de ninguém, meu compromisso é com a universidade pública, qualquer que seja o deputado, se tiver alguma coisa que não seja universidade pública nós vamos vetar.â€
Segundo a estudante de arquitetura Olívia Maia, o protesto é contra a forma em que a expansão está sendo feita - segundo ela, “iludindo†os futuros universitários. “Esse plano de expansão de vagas não prevê contratação de professores e funcionários. É um plano eleitoreiro com certezaâ€, declarou.
O reitor da Unesp, principal alvo da manifestação, mostrava desconforto com a situação. “No momento em que nós estamos ampliando as vagas no ensino público com qualidade, há uma manifestação totalmente fora da realidadeâ€, disse Trindade.
Perguntado sobre a manutenção de verba suplementar para manter os novos câmpus a partir de 2004, o reitor declarou que, por enquanto, há recursos. “O futuro a Deus pertence, mas nós já temos R$ 70 milhões, que é mais do que o orçamento do investimento de uma universidade em quatro anos inteirosâ€, afirmou.