Bairros

Demolições aumentam 92% em 4 anos

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru está ganhando um novo estilo arquitetônico. De quatro anos para cá, o número de pedidos de autorização para demolição quase dobrou na Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan). De 93 processos em 1998, subiu para 179 em 2001. Neste ano, até o meio da semana passada, já haviam sido requisitadas 137 autorizações. (veja infográfico)

Esse cenário é decorrente das mudanças de estilo de muitos bairros de Bauru, que estão deixando as suas características meramente residenciais para se tornarem referência de comércio e serviços. Também significa uma mudança de comportamento de novos moradores de regiões próximas ao Centro, que querem morar nessa área, mas em imóveis novos.

De acordo com o professor de história da arquitetura e edificações da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Nilson Ghirardello, o crescimento urbano está modificando o uso dos setores imobiliários da cidade. “Espaços antigos estão ficando inadeqüados para o seu novo uso. Por isso, a necessidade de demolir e reconstruir”, explica.

No lugar de casas antigas, datadas das décadas de 40 e 50, estão nascendo edifícios modernos, clínicas espaçosas e residências com um aspecto mais atual.

Os bairros onde essa mudança é mais notada são Bela Vista, Vila Cardia (no caso de residências) e Altos da Cidade e Vila Santa Clara (no que diz respeito à prédios comerciais).

Para Ghirardello, que também é presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac), essas áreas são consideradas de grande valor imobiliário. Por isso, a tendência é que haja uma remodelação da arquitetura, com a conseqüente demolição dos imóveis antigos. “Os novos estilos de clínicas médicas e odontológicas, ou mesmo outros tipos de comércio, não se adaptam à essas casas antigas. A reforma custaria muito e não resolveria o problema.”

A secretária municipal do Planejamento, Maria Helena Rigitano, destaca que o padrão arquitetônico da cidade está ficando mais moderno e elegante. “Hoje temos muitos profissionais capacitados na cidade para fazer essa remodelação."

Custo-benefício

José Martinho Teixeira da Silva, presidente da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), acredita que essas mudanças estão ocorrendo, principalmente, de dez anos para cá. “Os atuais proprietários de imóveis são menos conservadores do que na década passada e não hesitam na hora de demolir o que está ultrapassado para erguer algo novo”, ressalta.

Ele diz que, na maioria dos casos, compensa muito mais vender o imóvel por um preço mais baixo, visando a demolição, do que tentar reformá-lo ou comercializar do jeito que está. “As casas muito antigas tendem a ficar mais tempo paradas no mercado, sem despertar o interesse de compradores. Muitas vezes a pessoa recebe um oferta boa de um investidor interessado na mudança de estilo”, enfatiza.

Outra caracterísitica marcante de Bauru e que aos poucos está desaparecendo são as casas de madeira. A cidade possui imóveis desse tipo espalhados por muitos bairros, misturando estilos com prédios modernos e casas de alto padrão.

Esse modelo de construção era um dos preferidos pelos moradores da cidade das décadas de 40 e 50. Por serem bem mais baratos e rápidos de erguer do que as casas de alvenaria, os imóveis de madeira foram tomando conta de vários pontos da cidade.

Muitos proprietários mais conservadores não abrem mão de suas casas em troca de uma de tijolos por relacionar as residências com a sua própria história de vida. “Há quem receba oferta de troca e prefira permanecer onde está por causa da nostalgia que a casa traz”, conta Martinho.

Comentários

Comentários