Morreu Orlando Francisco da Costa, nosso querido mestre Landinho. Com esta trágica noticia ficaram mudos os surdos treme-terra, os contra-surdos, os taróis, todas as caixas, todos os tamborins, os réco-récos, os pandeiros, os agogôs, em suma; todos os instrumentos de bateria das escolas de samba por onde o mestre Landinho desfilou sua alegria, sua jovialidade, seu bom humor e sua enérgica competência com o apito para dar tom e ritmo à “moçada†como costumava dizer. Ficaram tristes e sem ritmo também as alas de baianas das escolas de samba. Ficaram órfãs as cabrochas de ontem e as de hoje da Unidos do Noroeste, da Camisa Dez, da Cartola, da Deixa Falar, da Coroa Imperial da Grande Cidade e também as do bloco Flor de Laranjeira. Fui apresentado ao mestre Landinho pelo Roberto Sassi, dono da Banda da Folia, por volta de 1974, quando em compania do dr. Luchesi administrávamos o Bauru Atlético Clube. Naquela época, sem sombra de duvidas, fazíamos o melhor carnaval de salão da cidade. Eu, junto com os diretores Wildo João da Silva, cel. Quaggio, o Madureira, o seu Mario, Humberto Manoel dos Santos, o Gerson Finazzi, o dr. Luchesi, o Lino Pavan, o saudoso Jessé Ferreira de Sá, o Navarro de Garça, o prof. Carlos, o Tupi, o Ronaldo, o Toninho Pescoço, o Mario Pedro, o Florenzano e outros colaboradores ficávamos administrando o carnaval e vendo e ouvindo a sensacional Banda da Folia do Robertinho Sassi, que tinha no mestre Landinho o seu coringa certo para incrementar a percussão da saudosa banda.
O Landinho dava o tempero à “cozinha†da banda. Quantas vezes ficávamos agoniados por não vermos no palco a figura simpática e extrovertida do mestre Landinho. Inquiríamos o Robertinho Sassi e ele nos respondia que o Landinho estava desfilando com esta ou aquela escola de samba. Lá pela meia noite e meia “pintava†no BAC o suado e sorridente Landinho, com sua palheta enfeitada sua blusa de brocado e lantejoulas, calça e sapatos brancos, seu colar de contas da devoção e a sua picardia. Ao nos ver, abria um largo sorriso, dava uma piscada marota para o Robertinho Sassi e dizia: “Calma dr. Jair, vamos meter bronca já nesse sambaâ€. Subia no palco e arrebentava o samba num ritmo esfuziante para alegria da grande massa de foliões do BAC velho de guerra. Isso talvez seja saudosismo piégas de um tempo que não volta mais. De uma época linda que o mestre Landinho e a Banda da Folia ajudaram a enfeitar com seu ritmo de carnaval. Tudo acabou. Vá com Deus, mestre Landinho! Estás nos deixando uma grande saudade de um tempo bom que não volta mais. Já estamos ficando com inveja das cabrochas e dos sambistas que com certeza estão lhe esperando no céu para começar uma batucada onde o surdo e o tamborim vão falar mais alto na cadencia do seu inesquecível apito de mestre de bateria. Adeus, Landinho. Nosso samba está de luto! (Jair Fernandes - RG 3.549.935)