O termo ecologia vem do “oikosâ€, raiz grega que significa o lugar onde se vive, a casa, e “logia†que significa estudo. Então, ecologia, é o estudo do lugar onde se vive. Apesar de existir há mais de 100 anos, o caráter inovador do termo hoje, tem a ver com a articulação dessas idéias no contexto de uma sociedade globalizada. O incremento da preocupação ambiental com o impacto das atividades antrópicas sobre o meio ambiente ocorreu a partir da década de 60, passando pela reunião do Clube de Roma (final dos anos 60) e tendo como marco a Conferência de Estocolmo sobre Ambiente Humano em 1072. A partir desse momento, passou a ser incorporada no uso diário uma nova terminologia com o prefixo “ecoâ€. Entre essas novas palavras podemos citar: ecocidadania; ecoeficiência e mais recentemente “ecodesignâ€. Ao juntarmos ecodesign com ecocidadania ou com ecoeficiência, teremos duas vertentes.
Na primeira, ecodesign com ecocidadania, temos como conceito o uso do design de objetos que utilizam resíduos ou materiais recicláveis ou de exploração sustentável, para compor peças com identidade regional dentro dos preceitos da modernidade industrial e tecnológica. Possui relação com ecocidadania porque pode-se transformar o design em uma oportunidade para a implantação de ações que venham a dar sustentabilidade às pequenas comunidades carentes, por meio da correta exploração e comercialização desses produtos, contribuindo para reduzir, dessa forma, a pobreza. Aliás, essas ações que vem sendo implantadas no Brasil por fundações, ONGs e setores governamentais, vem ao encontro da Declaração do Milênio, ocorrida em 2000 na ONU/Nova York, que colocou como meta a redução, até o ano 2015, de 50% do número de pessoas que vivem na mais absoluta pobreza.
A segunda vertente do ecodesign que estamos tratando aqui diz respeito à sua relação com a ecoeficiência e com a gestão ambiental. Após 1972, o aumento da preocupação com o meio ambiente exerceu um grande impacto sobre as atividades empresariais. Na década de 80 houve uma proliferação da regulamentação ambiental e o enfoque era dado sobre o controle da poluição no “final do tuboâ€, ou seja, tratava-se o efluente, o resíduo ou a emissão. Essa atitude apresentava o controle ambiental como um custo adicional para a empresa. A mudança de enfoque com a gestão ambiental ou gestão ecoeficiente, na década de 90, otimiza todo o processo produtivo, reduzindo o impacto ambiental. Introduz o conceito de prevenção, fazendo uso de tecnologias limpas, menos poluentes ou perigosas, assim como o conceito do “ciclo de vida†do produto, isto é, ser ecologicamente correto do nascimento ao descarte. Aqui, o ecodesign está inserido em toda a produção autosustentável associada à preservação ambiental, tanto no processo industrial quanto no produto final, agregando maior valor à imagem dos produtos e reduzindo o tempo de retorno do investimento.
Nesse ponto, podemos comentar o valor das normas de qualidade ambiental da série ISO 14000. Introduzida no Brasil em 1996, muitas empresas procuram essa certificação para ser ecoeficientes e, conseqüentemente, melhorar a competitividade internacional de seus produtos pois, no mundo inteiro, mais de 50% da classe média, que é a grande consumidora, está disposta a pagar mais por produtos que comprovem, mediante certificação, que são ecologicamente corretos.
Ainda não totalmente de domínio público, o termo ecodesign passará cada vez mais a fazer parte de nossas vidas, seja associado à ecocidadania ou à ecoeficiência, ou a qualquer outra palavra de prefixo “eco†que a complexidade do nosso tempo vier a criar. (A autora, Nida Chalegre Coimbra, é consultora ambiental, presidente do Comitê de Meio Ambiente da Câmara Americana de Comércio - AMCHAM/Brasília)