Bairros

Só nova captação evitará falta d'água

Por Ieda Rodrigues | Colaborou Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) tem R$ 4,8 milhões para investir em obras no próximo ano. Com esse dinheiro estão previstas a construção de três reservatórios, a perfuração de dois novos poços e reforma parcial da Estação de Tratamento de Água (ETA) do rio Batalha. Porém, a médio e longo prazos, somente a exploração de um novo manancial de água superficial evitaria o desabastecimento como o enfrentado nesses dias.

A avaliação é de Nucimar Dolores Borro Paes, diretora da Divisão de Planejamento do DAE. Ela explica que, como o Batalha está operando no seu limite, a autarquia tem recorrido a novos poços para atender a aumento da demanda causado pelo crescimento da cidade. No entanto, não está sendo o suficiente.

Bauru está enfrentando rodízio de água desde sexta-feira à tarde. Apesar do nível do rio Batalha ter elevado-se alguns centímetros no final de semana - estava 28 centímetros abaixo do nível normal -, a situação ainda é crítica. Sem água 24 horas nas torneiras, moradores de diversos bairros da cidade estão armazenando o produto em suas residências.

Ricardo Alexandre Crusco, do Jardim Gaivota, geralmente vai até a fonte pública da Universidade do Sagrado Coração (USC) para encher dois galões de 20 litros para o consumo diário.

Devido à falta de água que está atingindo seu bairro desde quinta-feira, ele agora vai até a fonte com seis galões. “Eu comprei mais galões para me prevenir. Tem dia que eu como lanche porque não tem água para cozinhar”, conta.

Ontem, o DAE recebeu cinco solicitações de caminhão-pipa e dez reclamações de falta de água, contra 150 e 350 ligações para os respectivos objetivos na sexta-feira. O nível dos reservatórios subiu, mas mesmo assim o rodízio continua, explica Sandra Faria, assessoria de imprensa do DAE.

O rodízio no abastecimento, solução encontrada para que as regiões altas recebam água, é adotado toda vez que o nível do reservatório abaixa muito. “O rodízio de abastecimento de água é entre as partes altas e baixa, para que todas sejam abastecidas”, ressalta.

Além de ser um investimento alto, em alguns pontos da cidade já não é possível perfurar novos poços para não prejudicar o aquífero Guarani - já são 28 -, lembra Nucimar. Por isso, a alternativa mais indicada para o abastecimento de Bauru nos próximos anos é explorar um segundo rio.

Pensando nisso, o DAE está monitorando o ribeirão da Água Parada há quase três anos. A proposta é retirar água desse manancial para ajudar no abastecimento da cidade. Mas para isso, ressalta Nucimar, é preciso construir uma estação de captação e tratamento da água no córrego, o que demanda altos investimentos.

O DAE, explica, ainda não fez a estimativa de custos, mas se a reforma da ETA do rio Batalha está orçada em R$ 6 milhões, a construção de uma estrutura semelhante deve ficar na casa dos R$ 10 milhões. Ou seja, é um valor alto, que a autarquia não dispõe para o próximo ano.

Além disso, lembra a diretora de Planejamento do DAE, antes de construir a nova ETA é preciso executar as obras programadas para 2003 e tratar o esgoto.

No próximo ano devem ser construídos reservatórios no Núcleo 9 de Julho, Núcleo Geisel e Vila Industrial ( cerca de R$ 450 mil cada um) e abertos poços na Vila Nova Esperança e na Vargem Limpa (R$ 1 milhão cada um).

O DAE está monitorando o ribeirão Água Parada há quase três anos. Pelas análises feitas até agora, a água é de boa qualidade e viável para exploração. De acordo com Nucimar, o córrego tem o dobro de volume de água do rio Batalha e, portanto, condições de abastecer boa parte da cidade.

Atualmente, o rio Batalha abastece 43% de Bauru. Os demais 57% da cidade recebem água dos poços profundos. “A construção da ETA no Água Parada é uma meta, mas por enquanto não há orçamento”, diz. O prefeito Nilson Costa (PPS) está estudando, há dias, um pedido do DAE para reajuste de tarifa. O aumento seria uma das formas de aumentar o orçamento da autarquia.

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