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Cai concentração de chumbo entre as crianças do Tangarás

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A concentração de chumbo no organismo das crianças do Jardim Tangarás que estavam com absorção do metal igual ou superior a 25 microgramas por decilitro de sangue está em queda. O resultado da terceira amostra de sangue, que saiu em meados de setembro, revela que atualmente 15 menores com até 12 anos estão com esta incidência de chumbo. Contudo, o número já foi de 33 na primeira análise e de 22 na segunda.

Os dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde em conjunto com a Diretoria Regional de Saúde (DIR-10) indicam que a contaminação caiu porque o bairro não conta mais com o emissor do metal, uma vez que as atividades da fábrica de baterias Acumuladores Ajax foram suspensas.

“Como não existe mais quem lance o chumbo para a atmosfera, agora devemos nos preocupar com a recontaminação, pois o metal fica na superfície do solo e pode continuar prejudicando especialmente as crianças que brincam na terra e mantêm o hábito mão-boca”, explica a diretora do Grupo de Vigilância Epidemiológica da DIR-10, Márcia Simonetti.

Os menores que permanecerem com o índice de chumbo igual ou maior que 25 microgramas por decilitro de sangue na quarta amostra, que já foi colhida, serão submetidos a tratamento, já que o metal afeta o sistema nervoso, provocando retardo do desenvolvimento neuropsicomotor, diminuição da audição e do quociente de inteligência, mesmo que de forma tímida, conforme explica relatório da DIR-10.

“Três crianças que estavam com alto nível de chumbo no organismo já estão recebendo tratamento no Hospital de Base. Entretanto, a terapia só é indicada em casos específicos, pois o processo de desinfecção do metal provoca efeitos colaterais”, informa a secretária municipal da Saúde, Sônia Fiochi.

Para fazer com que as análises realizadas pelo Instituto Adolfo Lutz continuem indicando queda na contaminação das crianças, tanto Fiochi quanto Simonetti ressaltam que as condutas de higiene pessoal devem ser reforçadas pelas famílias do Jardim Tangarás. “Não que eles não sejam asseados, mas precisam redobrar os cuidados em função da poeira contaminada com chumbo”, enfatiza Márcia.

Ela informa também que todas as mulheres com mais de 13 anos e que vivem junto com as crianças que têm concentração de chumbo igual ou superior a 25 microgramas por decilitro de sangue sofreram uma investigação clínica, através de coleta de sangue. O resultado mostrou que o índice de concentração do mental foi desprezível.

“Os dados demonstram que o risco de contaminação é maior em crianças mais novas devido ao contato com o solo. Quanto maior ela for, o hábito mão-boca vai deixando de existir. Através de outras pesquisas ainda identificamos que a medida que as residências se afastam da fábrica, os níveis de chumbo no sangue das crianças decrescem”, conclui.

Desde a interdição da fábrica de baterias Ajax, 860 menores foram examinados, sendo que deste total 553 apresentaram índice inferior a 10 microgramas por decilitro de sangue, limite recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Acima desta referência ficaram 307 menores, que estão recebendo o apoio de uma equipe multidisciplinar de especialistas.

Além da supervisão médica, outras medidas de saneamento ambiental foram anunciadas, conforme o JC tem publicado. Entre elas está a pavimentação das ruas do bairro, o calçamento ao redor das casas, o plantio de grama nos quintais, a remoção de poeira nas paredes e tetos das casas, além da não reabertura da empresa enquanto as medidas de controle de emissão do metal não forem tomadas.

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