Economia & Negócios

Crédito já fica mais caro ao consumidor com alta da Selic

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

A partir da próxima semana o consumidor vai pagar mais caro pelo financiamento, em conseqüência do aumento da taxa básica de juros da economia (Selic) de 18% para 21%. Lojas e bancos de montadoras consultados pela reportagem aumentarão em até 0,5 ponto percentual os juros cobrados dos clientes. Algumas empresas ainda estão tentando não repassar aumentos, pelo menos por enquanto.

Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, o aumento da Selic resultará num Natal pior que o do ano passado, já que a maioria das pessoas não terá condições de pagar preços ainda mais altos, ou arcar com juros mais elevados nas prestações. Tudo indica que a principal data comemorativa para o comércio seja marcada por presentes de baixo valor, segundo avalia Carvalho.

Numa loja pertencente a uma grande rede de varejo, especializada em eletrodomésticos e eletroeletrônicos, o gerente Marcos Antônio Borges diz que, a partir de segunda-feira, a taxa de juros para financiamento subirá de 0,4 a 0,5 ponto percentual.

Até o final desta semana, a rede continuará cobrando de 3% (para pagamentos parcelados em até quatro vezes) a 5,9% ao mês no crediário (taxa cobrada para planos a partir de nove prestações). Os prazos, que vão até 19 meses, serão mantidos.

“A intenção da empresa era a de segurar o aumento de juros para o consumidor o máximo possível. Mas como está sendo difícil fazer isso, a meta é repassar o mínimo possível. Esse aumento de até 0,5% ainda não é definitivo. Se a rede conseguir, o repasse será menor”, afirma Borges.

Mesmo com os reflexos da elevação da Selic, o gerente da loja acredita que as vendas não serão prejudicadas, inclusive as do Natal.

“Começamos muito bem o segundo semestre. Para outubro, a previsão é de obtermos resultados 8% acima do que no mesmo mês do ano passado. Para dezembro, a expectativa é de superar o volume de comercialização em torno de 9% sobre 2001”, diz Borges.

Varejo

Em outra grande rede de varejo, a assessoria de imprensa informa que os repasses serão evitados enquanto for possível. No momento, a empresa continua trabalhando com os mesmos planos, com financiamento em até seis vezes sem juros, ou em 12 vezes com taxa mensal de até 3,5%.

A analista de marketing de um banco ligado a uma montadora de veículos, Márcia Adriana de Oliveira, diz que desde ontem as novas taxas de juros já estão sendo aplicadas no Crédito Direto ao Consumidor (CDC).

De acordo com ela, para o financiamento em até 24 meses (o mais utilizado) a taxa mensal de juros era de 2,74%. Desde ontem, passou para 2,99% (acréscimo de 0,25 ponto percentual).

Os financiamentos de veículos feitos em até 36 meses tinham taxas de 2,93% ao mês. Agora, passaram para 3,19% (0,26 ponto percentual a mais). “O aumento foi inevitável, mas as nossas estratégias de vendas não mudarão e acredito que os resultados não serão muito afetados. Oferecemos várias opções facilitadas para o cliente”, diz Márcia.

Crediário

Dados da Confederação Nacional de Diretores Lojistas (CNDL) dão conta de que, se a taxa básica de juros se mantiver em 21%, um crediário de 12 meses terá taxa de 60% ao ano. Nesse caso, as conseqüências seriam muito ruins para o público e para o comércio. Contudo, o presidente da Acib, Cássio Carvalho, não se abala com a estimativa.

“Se isso estiver correto, não vejo motivo para pânico, pois não é muito diferente do que já ocorre. Atualmente essa taxa gira em torno de, em média, 50% ao ano. A questão é que a situação já vem difícil para o comércio há meses, desde que o dólar começou a subir e não parou mais”, observa Carvalho.

Em função disso, ele avalia que a elevação da taxa Selic de 18% para 21% não interferirá de maneira significativa no resultado das vendas para o Natal deste ano.

“Infelizmente, é difícil contar com vendas melhores do que no final do ano passado. Por outro lado, com todas essas incertezas as pessoas estão mais comedidas na hora de comprar, e isso resulta em vendas mais seguras para o comércio”, diz Carvalho.

Algumas financeiras consultadas pela reportagem não passaram informações sobre taxas de juros.

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