Pudéssemos retroceder no tempo e constataríamos uma realidade que jamais pode ou deve ser esquecida pelo nosso sofrido povo brasileiro, em especial, aqueles de menor poder aquisitivo. Tínhamos, há oito anos, um quadro obscuro no que tange à economia, como a instabilidade da moeda, a inflação totalmente fora de controle, as inúmeras abordagens da imprensa sobre as tão faladas maquininhas de remarcação de preços nas lojas e mercados. A Caderneta de Poupança, cujo objetivo é, no mínimo, manter o valor do dinheiro dos poupadores, estava totalmente descaracterizada pela especulação financeira que fazia dela um alto investimento para aqueles que recebiam altos juros, em detrimento ao desespero e ao drama vivido pela nossa gente.
Na área rural, homens inescrupulosos, ou não querendo correr os riscos de intempéries, após conseguirem altos empréstimos do próprio governo para programas ou projetos agrícolas, deixavam de lado a lavoura para aplicar o dinheiro na Poupança, trazendo consequências nefastas, como o êxodo rural, a superpopulação das cidades e, em função disso, o aumento do desemprego, da miséria, da violência e da criminalidade.
Ali começava também o agravamento da crise de nosso Sistema Judiciário e a superpopulação dos presídios e penitenciárias. Insegurança, medo, fome, preços altos, desemprego e tantas outras facetas negativas compunham o quadro sócio- econômico brasileiro. Não é preciso ser sociólogo, economista ou qualquer outro especialista para se perceber que diante do exposto, o Brasil melhorou e melhorou em muito nesses últimos oito anos, quando a carne, por exemplo, era artigo de luxo para uma grande maioria.
Hoje, se o time ganha “queima-se uma carninha†e, se ainda temos inflação, é insignificante se comparada matematicamente à que tínhamos naquele tempo. Se temos maior taxa de desemprego, não é preciso ser muito “culto†para saber que esses problemas são mundiais, por serem consequências do progresso, cuja automação ocupa as tantas vagas que, antes, eram ocupadas por homens. Compete, pois, aos administradores uma revisão no conceito de empregabilidade. Já não existem tantos empregos a serem oferecidos, no mundo. É claro que atrás vem a marginalidade, a violência e a criminalidade. Toda essa corrente de problemas merece todo o cuidado, toda a atenção e a incessante busca de alternativas, invertendo o êxodo rural, promovendo incentivos agrícolas, baixando-se juros, criando-se seguros, novas frentes de empregos, abrindo-se mais e mais escolas de capacitação profissional etc.
Creio que já dá para perceber que não existe santo milagreiro para se fazer no Brasil, em quatro ou oito anos, aquilo tudo que ninguém fez até hoje em qualquer país do mundo. Parece-nos, no entanto, que essa adequação de nosso país aos “tempos modernos†exige nos cargos políticos homens de conhecimento, de visão e pulso firme. Compete a todos os brasileiros a responsabilidade da consciência de que, além de tudo, é necessário a continuidade de trabalho. Seria o maior desastre para o país fingir não ver a transformação que vem se processando com muito trabalho e progresso. Compete a todos os brasileiros a responsabilidade de lutar pela manutenção do que já se conseguiu e entender que não podemos crer em promessas milagrosas e mirabolantes. Nosso país está nos trilhos, sim. Muito há muito por ser feito e muito a ser aperfeiçoado, mas sem a valorização do que já conseguimos e uma continuidade de trabalhos, corremos o risco de retroceder para depois, chorando, recomeçarmos do zero.
Não... nós não temos tudo. Aliás, ninguém chega a ter tudo. Mas, eu quero que pensem: - Será que existem palavras milagrosas? Será que existe no mundo alguma bandeira, uma que seja, que vai transformar nossas mentes livres, em instrumentos de uso para grandes realizações partidárias? - Sou bauruense, paulista e brasileiro com muito orgulho. Minha área não é a política, embora seja filiado ao PSDB há oito anos, partido do qual me orgulho pela integridade inabalável e inatacável de seus membros.
Sem qualquer pretensão, sem pleitear nada, sem que me pedissem, eu fiz de minha modesta casa um ponto de divulgação daqueles que, a meu ver, estão realmente envolvidos, capacitados e preparados. Até por uma questão de coerência e lógica, eles devem continuar com o trabalho desenvolvido.
A casa é uma residência antiga, fora de moda e até feia. Mas coberta de fotos, faixas e cartazes, expressa todo o meu patriotismo, o meu senso de responsabilidade como homem, como cidadão e chefe de família. Volto a dizer que não temos o tudo. Repito que não creio em promessas milagrosas. Mas se estamos em desenvolvimento, se estamos caminhando, convenhamos que não é nada inteligente fingir que não se enxerga a realidade e embarcar no vôo cego do jogo do tudo ou nada !
Embora a democracia nos dê o direito de ter nossos representantes , temos todos a responsabilidade e o dever de escolhê-los com seriedade e visão de futuro. Assim sendo, quando seus dedos forem acessar as teclas da urna eleitoral, respire fundo e pense que estará sendo responsável pelos próximos quatro anos. Devaneios e sonhos impossíveis à parte. Eleição é o seu mais sério compromisso com você mesmo, com sua família e com seu país. Respire fundo e vote com esperança. Não uma esperança de milagres, mas, sim, a de estar escolhendo seus representantes com os pés no chão. (Poeta e escritor Carlos Abreu Carvalho - RG. 8.087.263-3)