Cultura

Coragem

Por Ercília Pollice | Especial para o JC Cultura
| Tempo de leitura: 2 min

Brincando um pouco com as palavras, vou começar dizendo que coragem, etmologicamente, pode ter seu radical, tirado de coração - cor agem com o coração.

De fato, esse substantivo concretíssimo, que a gramática teima em classificar como abstrato, marca a diferença entre os viventes.

E, é no coração, essa caixa de segredos, alegrias, tristezas, decisões, escondida entre as grades das costelas, que começamos nossa atitude de sermos corajosos frente à vida.

Claro que estou divagando poeticamente, mas, todos sabemos, que ao tomarmos uma decisão que exige coragem, nossa adrenalina vai a mil, e nosso coração quase pára ou dispara.

Coragem é o ato de alguém que empurra o medo pra longe de si mesmo, porque sua vontade de ser agente da vida é mais forte que qualquer outro sentimento.

Coragem é virar a mesa, num amor que não deu certo.

Coragem é mudar de emprego, se este lhe dá suporte financeiro, mas não o faz feliz.

Coragem é enfrentar mudanças, mesmo que o novo lhe assuste.

Coragem é bater de frente com uma doença, que quando tem de vir, não escolhe endereço.

Coragem é superar a morte de alguém que amamos.

Coragem é deixar pra trás lembranças boas ou más.

Coragem é sorrir dos fracassos, e aceitar o sucesso, sem se deixar amesquinhar, ou tornar-se prepotente.

Coragem é recomeçar todos os dias, como se fosse o primeiro de sua vida.

A vida não dá moleza pra ninguém, muito embora sempre achemos que a galinha do vizinho é mais gorda!

Bobagem pura! Todos os mortais têm suas dificuldades, seus desapontamentos, e seus sonhos nem sempre realizados.

O que diferencia um mortal de outro, não é a ausência de problemas, mas a coragem de enfrentá-los.

Está lá no livro milenar: “Se te mostrares frouxo, no dia da angústia, a tua força será pequena”.

No amor como na vida só os corajosos chegam lá!

É uma atitude que vem do coração.

Não é à toa que em todos os tempos, os mais diversos seres humanos, estamparam junto ao coração o emblema do que acreditavam.

O caçador selvagem, colocava os ossos de sua presa, num cordão junto ao peito.

O gladiador, o emblema de seu senhor em sua armadura.

O atleta, o nome de seu time.

Os hippies, usavam cordões que mostravam sua despretensão frente aos bens materiais.

O fã coloca junto ao peito a imagem de seu ídolo.

Nós outros, que não temos camiseta pra estampar nossa coragem, trazemos no brilho do olhar e na luz do nosso sorriso, nossa coragem estampada.

É isto aí, parte do coração para fora, através das janelas do corpo.

Por isso é que gosto de sempre repetir o sábio:

“De todas as coisas que deves guardar, guarda teu coração, porque dele procedem as saídas da vida”. (Escritora, poeta, acadêmica da Academia de Letras de Bauru, artista plástica e colaboradora de arte de Ju Machado - Escritório de Arte)

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