O furto é a infração mais praticada por menores de idade em Bauru, de acordo com dados da Delegacia Seccional. Neste ano, até o mês de setembro, foram registrados 149 atos infracionais referentes a furtos na cidade. Na noite de anteontem, um adolescente da Vila Santa Clara foi detido pela polícia, acusado de furtar dinheiro de um salão de beleza no Centro.
As estatísticas da Polícia Civil referentes ao ano passado confirmam a liderança dos furtos nos registros de atos infracionais, com 267 casos.
O total de furtos praticados em Bauru no ano passado, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, é de 9.340.
Acredita-se, no entanto, que o número de delitos cometidos por adolescentes seja maior que o registrado, já que muitos não foram esclarecidos pela polícia.
“Eu faço idéia de que muitos furtos que não foram esclarecidos e cujos autores não foram determinados podem ter sido cometidos por adolescentesâ€, observa o tenente-coronel Alexandre Borin, comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar (PM).
As outras infrações cometidas por menores cujas incidências são grandes em Bauru são lesão corporal dolosa - freqüentemente provocada por brigas - e porte de entorpecente, que teve 35 casos registrados neste ano, até o mês de setembro.
A Polícia Civil aponta furto, roubo, lesão corporal dolosa, porte e tráfico de entorpecente, homicídio e tentativa de homicídio e porte ilegal de arma como as principais infrações.
Apesar disso, é relevante a quantidade de atos infracionais de outra natureza registrados anualmente. Neste ano, até o mês de setembro, houve 199 delitos considerados de menor gravidade, tais como pichação de muro.
Atualmente, esses casos são acompanhados pela Delegacia da Infância e da Juventude (Diju), inaugurada no final de setembro. O órgão conta com equipe multidisciplinar para dar atendimento especializado a crianças e adolescentes.
Embora o delegado titular da Delegacia Seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca, afirme que o trabalho inicial está tendo bons resultados, há muita reincidência.
De acordo com o comandante da 1.ª Companhia da PM, capitão Benedito Roberto Meira, muitos garotos saem de bairros da periferia para atuar na região central. “Na região central tem vários menores envolvidos em furtos e atos infracionais. Tem dois menores do Fortunato que são os maiores problemas para a gente aqui do Centroâ€, expõe.
Ele afirma que geralmente são adolescentes que não estudam, têm problemas com a família e são usuários de drogas. “Eles acabam dormindo nas ruas e usando drogas. São sempre os mesmos, porque nem sempre eles vão para a Febem (Fundação para o Bem-Estar do Menor). Para o menor, isso significa impunidade. Então ele fica reiteradas vezes praticando o furtoâ€, explica o capitão.
Psicologia
Muitos atos infracionais podem ser provocados por distúrbios psicológicos de adolescentes que não são detectados e compreendidos pelos familiares. É o que afirma Darlene Têndolo, presidente do Conselho Tutelar de Bauru.
“Muitas vezes a família pensa que o adolescente está cometendo aquilo porque quer e, na verdade, ele tem um comprometimento psicológicoâ€, explica.
A situação desencadeia violência e pode comprometer o desempenho escolar dos menores. “Esses distúrbios podem desencadear uma violência tão grande como essas tragédias que a gente vê por aí. A sociedade está tão conturbada que quando uma pessoa apresenta um diagnóstico desse tipo acaba não sendo compreendidaâ€, agrava Darlene.
Outra situação enfrentada pelo Conselho Tutelar são os casos em que os pais não aceitam o filho em casa. Nessas situações, o órgão providencia abrigo para o adolescente e atendimento psicológico para a família e o menor. “Isso só empurra o adolescente cada vez mais para a rua e para as drogasâ€, avalia a presidente.
“O objetivo principal do conselho é que a família conheça a problemática desse adolescente e também consiga desenvolver um atendimento em casa. Mas o que acaba acontecendo é que os pais não querem mais saber delesâ€, acrescenta Darlene.