Henrique Calori, 60 anos, teve 90% de seu corpo queimado na tarde de ontem em Bauru. Até o fechamento desta edição ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base em estado grave. A polícia trabalha com a hipótese do crime ter sido motivado por vingança.
Um rapaz conhecido como Baianinho, teria jogado combustível sobre a vítima e depois ateado fogo. O crime aconteceu pouco depois das 13h, em uma casa em construção localizada na quadra 3 da rua Urgolino Zonta, Parque Nova Bauru.
Segundo informações de testemunhas, Calori seria indigente e estava dormindo quando alguém jogou sobre seu corpo uma certa quantidade de combustível e em seguida ateou fogo. Em chamas, ele saiu da construção, andou cerca de 30 metros e pediu socorro ao proprietário de um bar, que acionou a polícia.
Calori não conseguiu livrar-se das chamas e teve cerca de 90% de seu corpo queimado. O crime aconteceu no interior de um cômodo da construção, onde provavelmente a vítima estava dormindo.
Pelo o que a polícia apurou, acredita-se que alguém fixou tochas encharcadas com combustível em buracos da parede do cômodo onde o idoso estava e depois ateou fogo, o que provocou o incêndio e muita fumaça. No local foram encontrados palitos de fósforo, um óculos que pode pertencer ao autor do crime, garrafa plástica com indícios de combustível e pedaços da roupa da vítima semi-queimados.
A Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros socorreu a vítima ao Pronto-Socorro Central. De imediato, o idoso foi transferido para a UTI do Hospital de Base, onde permanecia internado até o fechamento desta edição.
Hipóteses
O delegado-assistente do 4.º Distrito Policial, Dinair José da Silva, trabalha com a hipótese de vingança. Isto porque, segundo algumas testemunhas, um indigente conhecido por Careca teria furtado algumas peças de roupas de Calori.
Dias depois, quando Careca retornou ao local, teria sido espancado por um amigo de Calori. Em represália, Careca teria encomendado a Baianinho que vingasse a surra. Ontem, o rapaz teria procurado Calori e ateado fogo nele.
Segundo o delegado, no local a Polícia Técnica recolheu vários objetos para a perícia. A própria vítima teria mencionado a policiais militares o nome de Baianinho como sendo seu agressor. Ele seria um catador de papéis e latas que sempre está na favela Ferradura Mirim.
Até o fechamento desta edição, ele não tinha sido localizado pela polícia. O delegado explica que, se o motivo do crime foi vingança, a pena será severa. â€œÉ uma tentativa de homicídio. A pena varia de 12 a 30 anos de reclusão. A crueldade da ação vai complicar ainda mais a vida do autorâ€, avalia.
Em 1997, o índio pataxó Galdino de Jesus dos Santos foi queimado numa parada de ônibus em Brasília. O crime teria sido praticado por jovens, todos da classe média. Eles foram acusados de jogar álcool e atear fogo no índio enquanto ele dormia.
Os quatro rapazes acusados da morte do índio pataxó foram condenados a 14 anos de prisão.