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Os adolescentes vão às compras

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 4 min

Alinhados e em dia com a moda e o mundo, os adolescentes estão cada vez mais sabendo o que quer principalmente na hora de ir às compras. Os jovens estão mais consumistas e exigentes do que nunca. Querem marcas, sim, desde que tenham qualidade comprovada.

Tentando achar uma blusinha de verão, a estudante Karine Custódio Garcia, 16 anos, se define como “consumidora regular que gosta muito de comprar roupas”, daquelas que é capaz de ficar alguns dias ou semanas sem comprar para guardar o dinheiro e adquirir um artigo de marca que considera caro. Mas na última compra dessa maneira, confessa que acabou levando uma calça cara, que não tinha uma grife famosa.

Seu dinheiro vem da mesada que recebe de uma tia. Entretanto, para comprar uma bolsa já chegou a pedir cotas para os pais. “Eu juntei dinheiro até conseguir comprar”, comemora.

Karine confessa que até em seus passeios tem que entrar numa loja, seja ela de roupas, sapatos ou acessórios. “Até pijama eu paro e se tenho dinheiro eu compro. Procuro tudo o que é diferente, chamativo. Fico feliz fazendo compras. É muito boa a sensação de ter sempre algo novo”.

Consumidora voraz, a recepcionista Daniele Marinheiro, 21 anos, admite gastar uma média de R$ 300,00 por mês em suas compras de roupas, sapatos e produtos de beleza. “Toda semana preciso comprar alguma coisa. É uma necessidade”, revela contando que tudo o que compra precisa usar no mesmo dia.

Ao ser abordada pela reportagem do JC, Daniele afirmou estar procurando um presente para o pai, mas não resistiu à tentação e confessa que a cada compra sempre leva mais do que precisa. “Eu sou assim, compro tudo e divido a perder de vista”. A última loucura em muitas prestações foi uma bolsa Victor Hugo.

Já o estudante Rodolfo Roussel, 18 anos, vai além dos gastos com o vestuário. Ele inclui as baladas de final de semana, a gasolina e os gastos com a namorada no orçamento familiar. “Quero sempre uma coisa nova e estou sempre pedindo. Filo tudo no cartão de crédito dos meus pais.”

A mãe, a professora Maria de Lourdes, endossa as palavras do filho dizendo que as contas menores ele faz em seu cartão, mas as maiores no cartão do pai que é mais controlador.

Ela deixa escapar que até as loucuras de paixão do adolescente ela tem que bancar. Como tem mais três filhos, seus gastos com os jovens são altos mais de R$ 2 mil entre colégio e supermercado. “As outras contas a gente nem soma para não enlouquecer”, brinca.

O filho se defende falando que, por ser o mais velho, supre nas compras uma atenção maior dada aos irmãos caçulas.

Consumidores-mirins

O perfil do jovem consumidor tem mudado nos últimos anos e é cada vez mais cedo ele sai sozinho às compras.

Edson Alves, supervisor regional de uma grife nacional de malharia, comenta que nesta semana presenciou numa loja de Marília um garoto de 10 anos consumindo sozinho. “Ele não aceitava opinião, ele escolhia. Achou o tamanho, a cor, provou e foi até o caixa pagar. Enquanto isso, a mãe estava no carro aguardando”.

A autonomia é uma característica que Alves salienta nesta nova geração de consumo. “Eles sabem o que querem. Vêm sozinhos e escolhem até presentes sabendo os gostos e características dos amigos. É uma turma de opinião formada, que só muda de idéia quando chega na loja e se apaixona por outra peça”.

Fidelidade é outra marca registrada dos adolescentes entre 10 e 18 anos que freqüentam assiduamente a loja surfwear gerenciada por Edmilson Segal. “Eles chegam e dizem: eu quero isso”. Muitos pedidos são pagos pelos pais, mas na maioria das vezes são os jovens quem pagam as próprias contas.

“Eu compro bastante coisa e coisa de marca”, afirma todo feliz Leonardo Paulino Bortoluzzi, 12 anos, provando um óculos de sol. Na lista de compras ainda estavam uma sunga, uma bermuda, uma blusa e boné. â€œÉ minha comprinha do mês. Fico muito feliz quando faço compras, mas estréio uma coisa de cada vez para sempre ter algo novo.”

A mãe de Leonardo, a vendedora Marilda, afirma que existe uma cota média de R$ 100,00 para gastar com cada um dos dois filhos. Mas que o caçula sempre foi vaidoso e desde os 10 anos faz suas compras apenas como uma breve supervisão.

Na hora de pagar, os comerciantes agradecem. A grande maioria paga em dinheiro vivo ou no cartão de crédito. “São ótimos compradores e não trazem problemas com cheques”, finaliza Alves, lembrando-se ele que na sua época só tinha o que a mãe comprava ou herdava do irmão mais velho.

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