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Recuperação do Batalha é essencial

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

O geólogo Nariaqui Cavaguti, especializado em área ambiental, recomenda atacar o problema de falta de água em três frentes: recuperar o rio Batalha, que abastece 43% da cidade (os outros 57% são abastecidos por 28 poços), perfurar poços onde é possível - estudo encomendado pelo DAE em 2000 aponta que podem ser abertos apenas mais sete poços na cidade – e investir na captação de água de um novo rio. â€œÉ preciso recuperar o Batalha e abrir novos poços para abastecer a cidade de imediato, para que não falte água em 2003, em 2004. Para atender Bauru nos próximos dez, 20 anos é preciso explorar um novo manancial”, afirma.

Para o vereador e ambientalista Rodrigo Agostinho (PMDB), mais urgente que iniciar a exploração de um novo rio é recuperar o Batalha, para tentar reverter a redução do volume de água. “O Batalha tem solução, mas depende de investimentos. É preciso reflorestar as margens do rio, o que está sendo feito pelo Fórum Pró-Batalha, pela Aciflora e pelo Vidágua, apesar do ritmo ser lento. Mas é preciso combater as quase 100 erosões existentes nos 22 quilômetros entre a nascente e a captação de água”, afirma.

Em alguns trechos, lembra ele, o rio tem apenas 15, 20 centímetros de profundidade. O combate às erosões é a parte mais difícil, na opinião de Agostinho. “Para combater as erosões primeiro é preciso canalizar a água da chuva de forma correta. Isso exige dinheiro e maquinário. Os donos dos terrenos cortados pelo Batalha não têm dinheiro para isso. É hora do poder público investir de fato, de parar de fingir senão Bauru vai ficar sem água mesmo”, completa.

Cavaguti concorda com Agostinho quanto à necessidade de combater as erosões. “As erosões têm reduzido o volume de água do rio porque causam o assoreamento. De acordo com medições feitas pelo DAE, a vazão de água reduziu 50% entre 1984 e 2000. As medições não seguiram métodos científicos, mas indicam que o problema é sério”, afirma.

Para ele, a recuperação do Batalha depende do DAE, de organizações não-governamentais como o Fórum Pró-Batalha e o Vidágua, e de proprietários de terrenos cortados pelo rio. â€œÉ preciso dinheiro para combater as erosões, reflorestar as margens do rio, conscientizar a população ribeirinha a preservar as margens e usar racionalmente a água para a agricultura. Não se pode ligar várias bombas para irrigação ao mesmo tempo porque vai reduzir o volume do rio”, recomenda.

Nilcéia Paes Lourenço, engenheira do DAE e presidente do Fórum Pró-Batalha, também acha que o combate às erosões no trecho da nascente até a captação do rio é importante para recuperar o volume de água. “Temos que tentar recursos junto ao governo do Estado. Esse trabalho está começando em Agudos, onde está a maior parte das erosões. Mas Bauru também tem que atacar”, diz.

Sem estimativa de custos, ela ressalta que o trabalho é difícil.“Não é um trabalho fácil porque, além de conter as erosões existentes, é preciso fazer curvas de nível e bacias de contenção para que a água da chuva não volte a levar terra para o rio”, frisa.

Outra medida necessária para recuperar o rio é o desassoreamento, que é feito com dragas comuns ou de sucção. “O DAE está fazendo um estudo para desassorear um trecho do Batalha na altura da captação, para aumentar o volume de água acumulada”, adianta.

Reflorestamento

O Fórum Pró-Batalha plantou 220 mil mudas de árvores nativas na nascente do rio, em áreas que foram degradadas para plantio de cana-de-açúcar, segundo Nilcéia Paes Lourenço, presidente da organização-não ambiental. O plantio começou há quatro anos e ela espera que em quatro anos o reflorestamento das margens comece a ajudar na recuperação do volume de água do Batalha.

“Já recuperamos 110 hectares na nascente do Batalha. Estamos acompanhando o crescimento dessas mudas, eliminando invasores, fazendo o controle de formigas. Já temos árvores com 1,8 metro”, diz

Osmar Cavassan, professor de ecologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), afirma que é imprescindível a manutenção da vegetação nativa não só nas margens do rio Batalha, mas como em toda região. “Assim como reflorestamento das áreas degradadas é preciso manter a vegetação. Isso porque, através do processo de transpiração, as plantas mantêm a umidade atmosférica, o que é importante para que ocorram chuvas”, diz.

Para ele, o reflorestamento exige um programa mais amplo, a longo prazo, envolvendo prefeituras, universidades, ongs e a população. “Tem que ser um planejamento de desenvolvimento sustentável”, afirma. “O reflorestamento que está sendo feito até agora é importante, mas ainda é pouco”, completa.

Jandira Líria Biscalquini Talamoni, professora de limnologia da Unesp, concorda com a necessidade de recomposição da mata ciliar, do combate às erosões e do desassoreamento do Batalha, mas alerta que, com o crescimento populacional, Bauru precisa buscar nova fonte de água. “Além dos problemas de queda de volume de água do rio, temos que considerar o crescimento da população. Se o nível do rio cai e o consumo aumenta, vai faltar água. É preciso recuperar o rio, mas buscar outras alternativas de abastecimento”.

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