Bairros

Hortas viram mania na cidade

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar de ter um solo arenoso, o que não é considerado muito bom para a agricultura, Bauru é uma cidade de muitas hortas. Prefeitura, instituições assistenciais e moradores de diversos bairros, visando uma vida mais saudável e uma terapia ocupacional ligada à natureza, acabam cultivando hortaliças e legumes para consumo próprio ou mesmo para vender.

Em escala comercial, há produtores de diversos portes. Um dos maiores deles abastece grande parte do Estado de São Paulo com verduras produzidas em propriedades localizadas em Bauru e manda entregar até em Manaus (Amazonas).

Para o engenheiro agrônomo Juliano Piovezan Pereira, o município tem um grande potencial para se destacar no cultivo de frutas e legumes. “O clima é um dos melhores e a localização da cidade é excelente para a distribuição dos produtos”, afirma.

De acordo com ele, o que está faltando é mais incentivo e informação para que os produtores invistam nesse setor. “A Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra) tem dado um bom apoio técnico, com maquinários. Mas falta assistência profissional para que as pessoas sintam segurança para implantar hortas e pomares comerciais na cidade”, destaca.

A Prefeitura Municipal tem uma produção considerável de verduras e legumes. Todas as Administrações Regionais possuem uma horta - exceto a do Centro da cidade - com produção voltada ao consumo dos funcionários (quase 300 pessoas, no total). O excedente ainda é fornecido gratuitamente para as famílias dos servidores e comercializado entre a vizinhança.

Além disso, a Sagra mantém duas hortas em funcionamento - um no Alto Alegre e outra, no Distrito de Tibiriçá. Elas produzem, além de verduras e legumes, mudas para serem distribuídas para entidades assistenciais, escolas e para a sua própria manutenção.

Para o titular da pasta, Cynise Pereira Leite, a quantidade de hortas e de verduras produzidas na cidade está aquém da capacidade dos agricultores e da própria prefeitura. “Poderia ser bem maior (a produção). Mas, para a Sagra, faltam funcionários para ampliar o cultivo. Já os agricultores não se sentem muito seguros em lidar com esse tipo de cultivo”, destaca.

Terapia

O contato com a natureza e a necessidade de suprir a alimentação com produtos naturais fez com que instituições assistenciais e escolas se dedicassem ao cultivo de hortaliças nos espaços ociosos.

Uma das últimas entidades a aderir a essa terapia foi a Associação de Pais para a Integração Escolar da Criança Especial (Apiece).

No último dia 12, foi inaugurada a horta da casa de apoio, com direito a descerramento de placa e muita festa.

A presidente da Apiece, Catarina Carvalho, destaca que o interesse dos alunos é muito grande por esse tipo de atividade. “Eles adoram aprender como cultivar a terra, como cuidar das plantas e, principalmente, como aproveitar os alimentos colhidos aqui em sua alimentação”, explica.

A Sociedade de Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (Sorri) também mantinha uma horta em sua propriedade, no Núcleo Geisel. No entanto, há cerca de nove meses a plantação foi arrendada para dois engenheiros agrônomos, que se comprometeram a doar parte da produção para a entidade e manter a horta em pleno funcionamento.

De acordo com a administradora geral da entidade, Maria Elisabete Nardi, o objetivo da Sorri é habilitar as pessoas para o mercado de trabalho e a horta não estava condizente com essa meta. “Esse tipo de atividade prevê um trabalho informal, diferente daquilo que queremos para os nossos alunos”, explica.

Além das plantações com finalidades terapêuticas e de subsistência, Bauru se destaca pela grande produção de hortaliças para fins comerciais.

Sighero Sato, um dos maiores produtores da região, que trabalha no setor há 16 anos, explica que possui cerca de 200 hectares somente destinado s ao cultivo de verduras.

Ele diz que o solo arenoso não ajuda muito na hora de plantar, mas que basta prepará-lo que o resultado se torna eficiente. “Tem que se dedicar e tomar os devidos cuidados com as plantas”, diz.

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