Para entidades assistenciais, cultivar hortas, mesmo que em pequenos espaços, é mais do que uma alternativa de reduzir gastos com a alimentação. É uma forma de incentivar o contato de seus alunos ou assistidos com a natureza, garantindo uma terapia natural e eficiente.
Para a presidente Associação de Pais para a Integração Escolar da Criança Especial (Apiece), Catarina Carvalho, a implantação de uma horta no estabelecimento foi extremamente favorável para os alunos. “Eles estão muito empolgados com a atividade e acabam desenvolvendo várias habilidades ao cuidar dos canteiros”, diz.
A horta da entidade foi inaugurada no último dia 12, em comemoração ao Dia das Crianças. Catarina conta que aproveitou uma área que era usada para acumular entulhos, no fundo do quintal, para ampliar o espaço de atendimento de seus alunos. “A gente só usava esse espaço para colocar as coisas que não usava mais. Agora é um dos locais mais visitados da casa”, explica.
As verduras ainda não começaram a ser colhidas, mas já mostram sinais de desenvolvimento. São 11 canteiros no total, onde são cultivados almeirão, alface, couve, cenoura, tomate e cheiro-verde, entre outras. Há ainda um espaço destinados a plantas medicinais, como boldo.
Além de garantir a alimentação dos assistidos, a presidente da entidade enumera uma série de vantagens trazidas pela horta.
Uma delas é aliviar qualquer tipo de tensão que os alunos possam sentir. “Quando estão cuidando dos canteiros, eles conversam entre si, trocam idéias, socializam-se mais”, destaca.
Ela explica que as professoras aproveitam o interesse dos alunos pelas hortaliças para alfabetizá-los. “Eles conhecem mais sobre as letras, os nomes dos produtos, aprendem a distinguir as cores, é um aprendizado muito grande”, salienta.
Além disso, Catarina acredita que o cultivo dos produtos propicia uma integração maior das crianças com a escola. “Eles se apegam mais e sentem prazer em estar aqui”, conta.
Esse comportamento pôde ser comprovado através de depoimentos dos alunos. Todos que foram entrevistados pela reportagem do JC nos Bairros mostraram-se muito empolgados com o projeto. Maria Cristina Gonzaga de Souza, por exemplo, diz que aprende mais quando está cuidando da horta. “É sempre bom quando trabalhamos na horta. Nós cuidamos das plantas, tiramos os matinhos e aprendemos sobre cada uma das verduras”, diz.
A colega dela, Denise Cristiane Cheque, gosta de molhar a terra e observar as plantas crescendo. “Todo dia que a gente vem aqui, as plantas estão maiores”, salienta.
Renata Rodrigues de Camargo, que também é atendida na Apiece, completa, dizendo que não vê a hora de colher os produtos. “Eu quero que as plantas cresçam logo para a gente poder tirar da terra”, destaca.
Claudionor Pedroso, pai de Juliana da Conceição Pedroso, uma das alunas da Apiece, diz que a filha está muito mais animada com a entidade depois que a horta começou a ser projetada. “Todos os dias ela chega em casa contando sobre essa horta”, salienta.
Ele explica que a filha sempre teve apego por atividades que envolvessem água e terra. “Acho que esse contato traz uma sensação muito boa para ela”, conta.
Como ter uma horta em casa
• Escolha o terreno (deve ser plano ou levemente inclinado)
• Se possível, o local tem de tomar sol o dia inteiro
• Não pode ser encharcado
• A terra deve ser adubada
• A água para molhar tem de ser pura e limpa, para não contaminar a verdura. Isto é importante porque existe o hábito de se comer alguns alimentos crus
• O terreno para a horta deve ficar afastado, no mínimo, 5 metros de vasos sanitários, chiqueiros ou esgotos
Preparo do Terreno
• Limpe ou capine a área, juntando todo o mato em um canto. O material retirado servirá, depois de apodrecido, como adubo orgânico
• Cave o terreno na profundidade de 20 centímetros
• Desmanche os torrões, usando enxada ou enxadão, deixando o terreno bem fofo
• Prepare bem o terreno, pois dele depende o bom desenvolvimento das plantas (Fonte: www.agridata.mg.gov.br)