A Sociedade de Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (Sorri) mantinha uma horta até o começo deste ano. No entanto, sem condições de tocar a lavoura, a administração da entidade decidiu arrendar a terra para dois profissionais especializados em cultivo orgânico. No contrato, uma cláusula garante a doação de parte da produção para a instituição assistencial. “Não estávamos mais podendo cuidar dos canteiros e decidimos entregar para pessoas mais habilitadas fazer isso”, destaca Maria Elisabete Nardi, administradora-geral da Sorri.
De acordo com ela, a horta foi criada com o intuito de servir de terapia para os alunos e, ao mesmo tempo, proporcionar o aprendizado de uma atividade profissional para eles.
No entanto, ela não se revelou eficaz no segundo sentido. “Nosso objetivo é formar mão-de-obra capacitada e ninguém contrata mais funcionários para trabalhar em hortas”, salienta.
Quando existe a contratação, ela ocorre de maneira informal, segundo Elisabete. “Nós não compactuamos com esse tipo de trabalho. Queremos que os nossos alunos encontre um emprego que garanta carteira assinada e direitos trabalhistas. Isso eles não estavam encontrando no setor de hortas”, conta.
Um dos engenheiros agrônomos que assumiu o canteiro foi Juliano Piovezan Pereira. Ele conta que foi convidado por Elisabete para tomar conta da horta e ficou muito satisfeito. “Calhou com a minha meta de fixar residência em Bauru, já que sou de outra cidade, além de ser um trabalho dentro do que eu estava planejando”, diz.
Quando começou a trabalhar na lavoura, ele salienta que ela estava totalmente desativada, com ervas daninhas espalhadas pelo solo e sem nenhuma verdura em produção.
Desenvolvendo a agricultura orgânica - aquela que não utiliza agrotóxico nas plantas -, ele conseguiu reativar os canteiros e hoje chega a produzir cerca de 150 dúzias de alface por mês, além de diversas outras verduras e legumes. “Parte do que colhemos destinamos para abastecer a Sorri. O restante comercializamos”, ressalta.
Ele diz que está à disposição dos alunos da entidade para tirar dúvidas e orientá-los a fazer canteiros em casa. “Estou pensando em desenvolver um trabalho educativo sobre esse assunto, visando incentivar as pessoas a fazer hortas em suas casas”, comenta o engenheiro agrônomo.