Saúde

Estímulo pode ocorrer no dia-a-dia

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O estímulo e treinamento da memória podem ser feitos em atividades rotineiras e consideradas de lazer. Na prática, tudo o que exige lógica, raciocínio e conhecimentos gerais está exigindo evocação de registros cerebrais. Estas atividades devem ser feitas por toda a vida, da infância à velhice.

Para crianças, o mercado oferece uma infinidade de brinquedos e jogos educativos, inclusive o próprio jogo da memória. Trata-se da brincadeira em que as cartas são dispostas sobre uma mesa viradas para baixo e o jogador tem que virar duas a duas até encontrar todos os pares. Quando brincam duas ou mais pessoas, ganha quem consegue formar mais pares.

“A linguagem também pode ser usada para aprimorar a memória. Quando a mãe pede para o filho contar como foi seu dia na escola ou um passeio, ela está incentivando a criança a recordar os detalhes armazenados. O filho vai ter que buscar palavras, significados, contexto, lugar, pessoas”, sugere a neuropsicóloga Maria de Lourdes Mereghi Tabaquim, professora da Universidade do Sagrado Coração (USC-Bauru).

A mesma dica vale para livros e filmes. Sempre que a criança termina de ler, os pais devem mostrar-se interessados na história, perguntar, pedir detalhes, pedir que ele desenhe. Além de recordar, a criança aprende a organizar as informações de modo a produzir relatos e imagens cada vez mais pormenorizados e compreensíveis.

Outra sugestão de Tabaquim é que a mãe peça ajuda do filho para elaborar a lista do supermercado. Depois, na hora da compra, ela vai perguntando: “Que fruta mesmo nós falamos em comprar?”, “Você se lembra quantos sabonetes são?”.

“Mas é preciso fazer estes estímulos de maneira espontânea. A criança tem que perceber que você está interessado nela. Porque se as perguntas tiverem tom de cobrança, de prestação de contas, ao invés de ajudar, a situação pode bloquear a memória dela”, alerta.

A neuropsicóloga salienta que as pessoas têm “termômetros” que indicam a hora de interromper os exercícios. Quando a criança diz que não quer mais brincar daquilo, ela deve ser respeitada.

“Isso vale para todo o mundo, porque algumas pessoas exageram nas atividades, nos exercícios e chegam à fadiga, que é inimiga da memória. Uma pessoa estressada, com excesso de estimulação, acaba com dificuldade de acessar os mecanismos que evocam informações armazenadas”, completa.

Adultos

Gente grande também deve exercitar a memória e pode fazer isso com atividades prazerosas, segundo o psicólogo Jair Lopes Júnior. Para treinar a memorização de palavras, ele pode associá-las a uma música ou à literatura de que goste.

A percepção visual pode ser aprimorada com jogos de caça-palavras ou caça-números, em que ele tem que encontrar uma expressão no meio de um amontoado de letras e símbolos. Ou pode montar quebra-cabeças, que exigem combinação de cores e formas.

Reunir uma turma para ir ao cinema ou assistir a um vídeo e comentar, trocar opiniões depois. Comentar a novela ou a partida de futebol com os colegas de trabalho, discutir uma notícia do jornal. Nestas atividades, as pessoas recordam o que viram, selecionam os dados por importância e reforçam a estocagem.

“Você vai estar treinando sua memória enquanto se diverte, fazendo o que gosta, sem cobranças ou estresse”, acrescenta Lopes Júnior.

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