Saúde

Técnicas de associação ajudam estudantes

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

A utilização de técnicas associativas pode ser uma boa opção para quem precisa armazenar uma quantidade muito grande de informações que não têm um contexto bem estabelecido, como é o caso dos estudantes. A estratégia (que é a principal ferramenta dos cursos de memorização existentes no mercado) consiste justamente em criar esse contexto de modo que a recuperação dos dados seja mais fácil.

De acordo com o professor do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp-Bauru), Jair Lopes Júnior, a dica é organizar as informações em blocos. Para isso, a pessoa pode criar frases, siglas, histórias ou cenários em que estas palavras ou conceitos estejam inseridos.

“Muitos estudos apontam que a eficácia destas técnicas é influenciada pelo tipo de tarefa exigida no momento da recuperação. Assim, ao escolher uma ou mais estratégias para decodificar e armazenar os dados, é muito importante considerar os objetivos da recuperação, ou seja, com qual finalidade exatamente será exigida a recordação das informações”, sugere.

Paralelamente, a pessoa deve avaliar qual é o mecanismo que ela considera mais confortável - se a recordação visual, textual, descritiva, auditiva e assim por diante. Então, basta reunir tudo num contexto e memorizá-lo.

O autor do livro “Psicologia Cognitiva”, Robert Sternberg (Porto Alegre, ArtMed Editora, 2000) divide estas técnicas em sete subtipos: agrupamento categórico, imagens interativas, sistema de palavras associadas, método dos lugares, método acrônimo, método acróstico e sistema de palavras-chave.

O agrupamento categórico pode ser usado, por exemplo, para organizar a lista de compras do supermercado. Supondo que a pessoa precise lembrar-se de comprar maçãs, leite, pães, uvas, papel higiênico, iogurte, rocambole, queijo, laranjas, sabonete e alface. A memorização seria bem mais fácil se ela dividisse isso em categorias.

Então, ela teria que passar pelo setor das frutas (maçãs, uvas, laranjas), na padaria (pães, leite, iogurte, rocambole, queijo), no setor de produtos de higiene (papel higiênico e sabonete) e no setor de hortaliças (alface).

Promover associações

Supondo, porém, que as palavras a serem memorizadas não tenham relação nenhuma umas com as outras: porco-espinho, mesa, lápis, livro, rádio, Brasília (DF), chuva, eletricidade, pedra e espelho. A técnica das imagens interativas pode ser uma opção. A pessoa imagina um cenário, uma cena ou uma fotografia onde haja cada uma destas figuras.

Ela pode imaginar, por exemplo, um porco-espinho sobre a mesa, olhando para um livro aberto. Na página aparece um mapa com um destaque para Brasília e sobre a imagem, um lápis. Ao lado, o espelho reflete a imagem de um rádio sobre uma pedra, gerando faíscas (eletricidade) sob a chuva. Quando precisar da lista, a pessoa pensa na imagem e dali retira todas as palavras.

Junto com as imagens, o indivíduo pode criar uma historinha infantil: Era uma vez um porco-espinho. Ele estava sobre a mesa, com o lápis na pata, copiando o mapa de Brasília do livro, quando uma luz chamou sua atenção. Ao olhar pelo espelho, ele viu que havia esquecido o rádio sobre a pedra lá fora e que a chuva produzia faíscas por causa da eletricidade.

No sistema de palavras associadas, a pessoa cria uma reciprocidade com uma lista já memorizada anteriormente. Seria algo como: um é olodum, dois é são meus bois, três é português, quatro é abstrato, cinco é de zinco, seis são os reis, sete é chiclete, oito é biscoito, nove não resolve, dez são seus pés.

Método dos lugares

Outra opção de memorização é imaginar que você faz um passeio e encontra cada uma daquelas palavras ou conceitos pelo caminho. Quando precisar daquela lista, basta recordar o passeio.

Considerando as mesmas palavras do exemplo anterior, a pessoa pode imaginar que percorre o trajeto entre sua casa e o trabalho ou a escola. Em cada ponto marcante, há um objeto da memorização. Mais uma vez, cria-se uma história.

“Ao sair de casa, vi meu vizinho com seu rádio e um porco-espinho. Perto do portão, havia uma lápis caído. Meu livro preferido estava na vitrine da loja. O mapa de Brasília estava pregado no muro da igreja. Na esquina da avenida, chutei uma pedra. Quando chegava na porta da escola, vi um curto no poste de eletricidade. Entrei correndo e vi meu cabelo despenteado pelo espelho. Coloquei o material sobre a mesa e ouvi a chuva lá fora”, por exemplo.

Iniciais e palavras-chave

Para quem não gosta das narrativas e descrições, existem estratégias de memorização que usam as letras iniciais das palavras para formar siglas ou, ao contrário, usam siglas para formar frases.

“Existe uma técnica chamada acrônimo, que consiste em formar uma palavra em que cada letra representa uma palavra ou conceito. Assim, supondo que um aluno precise recordar um fenômeno físico que consiste na ‘amplificação luminosa por emissão estimulada de radiação (light amplification by stimulated emission of radiation, em inglês), poderíamos delinear LASER”, explica o psicólogo Jair Lopes Júnior.

O método acróstico é exatamente o contrário, ou seja, a pessoa forma frases a partir de letras simbólicas. No livro “Psicologia Cognitiva”, Robert Sternberg cita os estudantes de música que precisam decorar os nomes das notas que ficam nas linhas de uma pauta com clave de sol: E (mi), G (sol), B (si), D (ré) e F (fá). Para facilitar, eles poderiam memorizar a frase “Every Good Boy Does Fine” (Todo bom garoto anda bem).

Outro exemplo seriam os grupos da Tabela Periódica. “OS SeTe Poloneses” representariam o grupo 6A (oxigênio, enxofre, selênio, telúrio e polônio). “Feridos na Rua Oscilam no Hospital” seria uma das fileiras do grupo 8B (ferro, rutênio, ósmio, hássio).

E quando a palavra a ser assimilada é muito estranha ou em outro idioma, pode-se associar o som dela com os fonemas de outra palavra conhecida. Por exemplo, para decorar a palavra cromossomos, associar a “como somos” e assim por diante.

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