É crescente o montante de recursos extraídos da produção nos últimos anos através do maior volume de renda enviada ao Exterior, da elevação da carga de impostos e dos altos juros internos. Isso tem causado grandes prejuízos aos agentes produtivos.
O aumento do desemprego é o mais angustiante efeito da atual política econômica restritiva. Medido pelo IBGE, o desemprego registra uma evolução de 5% da PEA em 1994 para os atuais 7,5%.
Além disso, o ganho real obtido com o fim da inflação em 1994 vem se desfazendo desde 1998. Mais da metade do ganho real médio do pessoal ocupado obtido de 1993 a 1997 já foi perdido.
O custo do programa de estabilização iniciado há oito anos vem impondo sacrifícios cada vez mais pesados aos brasileiros nos últimos quatro anos. O aumento do desemprego e a perda de renda são fatos que vão exigir mudanças urgentes nos rumos da política econômica por parte do próximo presidente. O quadro atual demanda ações econômicas expansionistas.
Os dois candidatos à Presidência têm prometido gerar entre 8 e 10 milhões de empregos num cenário nada animador. Para cumprirem a meta, a economia brasileira precisaria crescer cerca de 5% ao ano durante os próximos quatro anos. Os números parecem otimistas quando comparados com a média de 2,3% do governo Fernando Henrique Cardoso.
Vale lembrar que a recente elevação do juro Selic de 18% para 21% irá reduzir a já baixa previsão de crescimento econômico para 2003, que era de apenas 2,6%.
É importante salientar que hoje o país conta com um estoque de desempregado de cerca de 9 milhões de pessoas e um fluxo anual de crescimento da PEA de cerca de 1,5 milhão de trabalhadores.
Em suma, mesmo que se registre um crescimento do PIB de 4% ao ano nos próximos quatro anos, o país vai chegar em 2006 com um estoque de desempregados de cerca de 7 milhões de pessoas. Para absorver o atual estoque e o fluxo futuro da PEA, o país precisaria crescer em torno de 6% ao ano até o final do próximo governo.
Para o PIB se expandir no ritmo necessário para equacionar o problema do desemprego o próximo presidente terá que atacar em várias frentes. Expandir as exportações, fazer a reforma tributária e diminuir a dependência externa são medidas fundamentais, sem as quais será impossível reverter o preocupante quadro do mercado de trabalho. (Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, doutor em Economia pela Universidade de Harvard (EUA) e professor-titular e vice-presidente da Fundação Getúlio Vargas. É deputado federal pelo PFL/SP - Internet: www.marcoscintra.org - E-Mail: mcintra@marcoscintra.org)