O projeto iniciado há cinco anos para recuperar a nascente do rio Batalha quase sofreu mais uma perda ontem: um incêndio de grandes proporções destruiu cerca de 70 hectares (700 mil metros quadrados) próximos ao local onde nasce o rio que abastece Bauru, em uma fazenda no município de Agudos, na altura do quilômetro 5 da estrada Jacutinga.
O fogo teria se iniciado na noite de anteontem, por volta das 21h. Segundo o Corpo de Bombeiros de Bauru, o incêndio estava controlado até o início da noite de ontem, mas ainda havia risco de novas queimadas.
Durante o dia de ontem, duas viaturas dos Bombeiros e caminhões-pipa de Borebi, Agudos e de uma usina de açúcar próxima trabalharam no combate ao fogo, com a ajuda de voluntários e de membros do Fórum Pró-Batalha, entidade que atua na preservação do rio.
A área queimada é constituída, basicamente, de cana-de-açúcar e pasto. As cerca de 220 mil mudas de plantas nativas do projeto de reflorestamento da nascente não foram afetadas, segundo o vereador e ambientalista Rodrigo Agostinho (PMDB), que participou do combate ao fogo. “Lá é uma área superprioritária para conservação, nós estivemos toda manhã tentando controlar o incêndioâ€, diz Agostinho.
De acordo com o vereador, “quase toda†a Serrinha da Jacutinga está queimada, assim como outros córregos da região foram prejudicados. A prioridade, segundo conta, era proteger a nascente do Batalha, distante menos de um quilômetro do incêndio, para não comprometer o abastecimento de água de Bauru.
“Se atingisse (o rio), com certeza ia lançar no sistema de abastecimento de água uma grande quantidade de material queimado, e iria eliminar toda a proteção que existe na beira do rio, que hoje é capimâ€, declara Agostinho.
Devido à falta de chuvas e aos ventos, o Corpo de Bombeiros não pode garantir que o fogo controlado não vai mais se alastrar na região. â€œÉ difícil dizer que está extingüido porque é uma área muito grande, e você não mata brasinha por brasinha. Só dá um jeito para que não haja mais chama e que não se propagueâ€, afirma o segundo-tenente Eros Antônio Pereira.
Criminoso
Há também a forte suspeita de que o incêndio de ontem teve origem criminosa. “Pode até ser que tenha sido proposital, mas não existe prova materialâ€, diz Pereira.
Como a cana-de-açúcar do local está muito jovem para a colheita e pela extensão do incêndio, Agostinho acredita que o fogo tenha mesmo começado propositalmante. “O que deu para perceber é que, realmente, alguém passou colocando fogo, pois existiam vários focos diferentes de incêndioâ€, observa.
Para o soldado da Polícia Militar (PM) de Agudos Paulo Sérgio Félix, apesar de não haver indícios concretos, a origem do incêndio pode estar em desentendimentos que envolveram a proprietária da Fazenda São Benedito, onde se localiza a nascente do Batalha. “Ela teve alguns problemas com ex-funcionáriosâ€, aponta.