Jaú - Começou ontem no salão principal do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, a exposição de fotos e objetos pessoais de João Ribeiro de Barros - piloto jauense que atravessou o Atlântico Sul a bordo do hidroavião Jahu, em 1927. O evento faz parte das festividades em comemoração à Semana da Asa.
Além dos objetos pessoais do aviador, a exposição oferece ainda a oportunidade para que o público conheça partes do primeiro hidroavião a voar os 2,4 mil quilômetros de mar que separa a costa africana da ilha de Fernando de Noronha, no Brasil.
Antes disso, outros dois pilotos - como o italiano Francesco Di Pinedo e o americano Charles Lindbergh - já haviam conseguido feitos semelhantes. A diferença é que ambos sobrevoaram o Atlântico Norte e não o Sul como fez João Ribeiro de Barros.
Dentre as peças que sobraram do hidroavião Jahu estão as hélices e o motor. Este último inteiramente restaurado pela Polícia Militar, em São Paulo, segundo informou a secretária de Cultura e Turismo de Jaú, Lucy Rossi Monari.
Entre os objetos pessoais do aviador, em exposição, está uma cópia inédita do diário de bordo, gravatas, medalhas e uma revista da época, com uma reportagem sobre a proeza do hidroavião.
A abertura da exposição foi feita às 10h e contou com a presença do prefeito João Sanzovo Neto, de secretários municipais, de comandantes da Aeronáutica, do secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, Rui Altenfelder, do secretário-adjunto de Cultura, Sérgio Barbour, e do superintendente da Infraero, Willer Larry Furtado, entre outras autoridades.
Todos que acompanharam a cerimônia puderam assistir ao filme que mostra a chegada da tripulação, comandada por João Ribeiro de Barros, ao Rio de Janeiro, onde a população os esperavam entusiasmadas após o feito histórico. Segundo Lucy, o filme foi recuperado e gravado em DVD.
De acordo com a secretária, o primeiro contato com a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) para o agendamento da exposição havia sido feito há um ano. “Foi bastante difícil conseguir esse espaçoâ€, disse Lucy.
“Mas ele (João Ribeiro de Barros) é um conterrâneo nosso. (Por isso) é obrigação de uma secretária de cultura fazer o que eu estou fazendoâ€, declarou ela, momentos após a abertura da exposição.
Segundo ela, o evento foi orçado em R$ 50 mil e os maiores colaboradores são a Secretaria de Cultura e Turismo do Estado de São Paulo e empresários jauenses. A prefeitura da cidade cobriu apenas as despesas com viajem, alimentação e hospedagem dos secretários municipais, entre outras.
História
O hidroavião Jahu levantou vôo na ilha de Porto Praia, no Arquipélago de Cabo Verde (África), na madrugada de 28 de abril de 1927, carregando 23 mil litros de gasolina e 262 quilos de óleo.
A tripulação era formada pelo navegador Newton Draga, o co-piloto João Negrão, e mecânico Vasco Cinquini. Além, é claro, de João Ribeiro de Barros.
Voando a 150 metros de altura e a uma velocidade recorde de 190 km/h, o Jahu permaneceu durante 12 horas no ar e, ao entardecer, mesmo com problemas em uma das hélices, o avião pousa vitorioso em águas brasileiras na ilha de Fernando de Noronha.
Por muitos anos, o Jahu ficou abandonado no Museu da Aeronáutica, em São Paulo, segundo informações do site www.uol.com.br/edaiways/jahu.htm.