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Reflexões na hora amarga


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Continuam naturalmente em pauta, e em primeiro plano, as eleições a serem realizadas no próximo dia 27. Pelos números das diversas pesquisas de opinião até este momento publicadas, tudo indica que sairá vitorioso o candidato do PT, de vez que a situação carrega o estigma de sê-lo. Situação que, como ninguém, ignora, em aviltante subserviência aos interesses de quem, de fato, governa o mundo, alienou patrimônio público, com as famosas privatizações, que em nada aliviaram a situação angustiante com que se defronta o nosso povo, convivendo com a violência do desemprego, do banditismo, da aluição dos valores indispensáveis a um progresso harmonioso e à realização da justiça. E o pior, segundo entendemos, é que, analisados aspectos do passado de ambos os candidatos, são flagrantes as coincidências de índole ideológica, a que ambos, agora, não se referem mais, desrespeitando, portanto, os nossos concidadãos, objetos, como são, de claríssimas tentativas de enganá-los. É que, tenhamos a coragem de afirmá-lo, a democracia, tal como vem sendo praticada, pouco tem a ver com o ideal democrático, do qual não representa senão uma expressão degradada, e que, por isso mesmo, passou a ser objeto, por parte do poder mundial a que foi feita alusão linhas acima, da tentativa de impô-lo, ainda que, se necessário, à força.

É que, nessa forma degradada, confunde-se, deliberadamente, a liberdade, como conceito, no plano metafísico, com o exercício da liberdade por parte de seres imperfeitos como somos todos, que abrigamos tendências boas e más, generosas e egoístas, socialmente positivas e negativas. E, com tal confusão, tudo passou a depender de maiorias volúveis de legisladores, que chegam a sê-lo sob a influência de uma formidável máquina publicitária, manipulada, em última análise, pelo poder mundial, de cujos recursos ela depende. É essa máquina terrível que vem liquidando a nossa civilização, de raízes judaico-cristãs, de cujas raízes foi desvinculada desde que passaram a prevalecer conceitos como “todo poder vem do povo” e, a lei é a expressão da vontade geral, manifestada diretamente, ou por intermédio de representantes”, a que se acrescenta “ninguém será obrigado a fazer, ou a deixar de fazer nada, a não ser em virtude de lei”.

O leitor, inteligente, percebe que tudo foi colocado em mãos das maiorias manipuláveis, desaparecendo a existência de um referencial fixo de valores que, em nossa cultura, factualmente, está representado pelas Escrituras Sagradas. Recaímos, assim, no que Cícero já denunciara em “De Legibus”, há mais de dois mil anos, quando registrou que se considerássemos todo o Direito como sendo o que se expressava nas leis elaboradas pelos legisladores, estaríamos atribuindo a estes a faculdade de transformar, a seu talante, o bem em mal, a mentira em verdade, a virtude em vício, e assim por diante. Como vê o leitor, trata-se de algo muito sério e muito grave, contra o que já surgiu, consistente e bem fundamentado, um alicerce teórico que começa a suscitar um movimento, de fato realista e generoso, uma nova ideologia digna de Terceiro Milênio do qual, no futuro, pretendemos dar maiores informações aos leitores. Por enquanto, sugerimos que reflitam sobre o que ficou dito, à luz de suas inteligências e, sobretudo, de suas consciências. (Jorge Boaventura - e-mail: brasil jorgevoaventura.jor.br)

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