Das 5h às 8h de ontem, a quantidade de água retirada do rio Batalha foi reduzida para um terço. O nível do manancial caiu para 22 centímetros - o normal é 50 centímetros - e o Departamento de Água e Esgoto (DAE) foi obrigado a desligar uma das duas bombas em funcionamento até então.
Em condições normais, três bombas de sucção retiram água do rio. “â€Normalmente, são retirados do Batalha 560 litros de água por segundo. Quando a segunda bomba foi desligada, na madrugada, caiu para 240 litros por segundoâ€, explica Sandra Faria, assessora de imprensa do DAE.
O reflexo do desligamento da segunda bomba na madrugada veio logo pela manhã: vários pontos da Vila Cardia, Jardim Ferraz e Jardim Ouro Verde ficaram sem água, conta Sandra. “Recebemos 250 reclamações e 37 pedidos de caminhão-pipaâ€, diz.
O rio Batalha abastece 43% da cidade - as regiões das vilas Falcão, Independência e Cardia, Centro, Altos da Cidade, Santa Clara e dos jardins Marambá e Estoril. O restante da cidade é abastecido por 28 poços profundos e já enfrenta problemas. “O nível de todos os reservatórios estão baixo porque o consumo é muito altoâ€, completa Sandra.
A assessoria de imprensa do DAE ressalta que a população precisa economizar o produto, para evitar desabastecimento maior nos próximos dias se não chover. “As temperaturas continuam elevadas, não há previsão de chuvas e o consumo é altoâ€, frisa.
Desde o último dia 7, quando foi verificada a redução do nível do Batalha, o DAE passou a operar com duas bombas a maior parte do dia. A terceira estava sendo ligada à noite e madrugada, em períodos que o rio recuperava um pouco o nível.
Com o passar dos dias e a ausência de chuvas, a terceira bomba deixou de ser ligada por falta de água no rio. Agora, já há dificuldade em manter a terceira bomba funcionando 24 horas por dia. “Depois do desligamento na madrugada, a segunda bomba funcionou durante todo o dia de hoje (ontem), mas não sabemos se o rio vai agüentarâ€, lembra Sandra.
Há três semanas, o DAE adotou rodízio no abastecimento de água e, se o nível do Batalha continuar caindo, a cidade terá que enfrentar racionamento. “No racionamento é cortado o fornecimento de água para determinada região por um período definido, como 24 horas. Nesse período, essa região não recebe nenhuma gota d’água. Já no rodízio, o corte ocorre em um período do diaâ€, explica Sandra.
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Convivendo com economia
A dona de casa Delazir Ariette de Oliveira, que mora na Vila Cardia, diz que já se acostumou a viver com pouca água. “Eu sei economizar porque aqui na Cardia sempre tivemos problemas, mas agora está pior. Então não lavo mais quintal e banho está sendo de canequinha, para guardar a água da caixa para a descarga do banheiroâ€, conta.
Ontem, de acordo com Delazir, a água acabou por volta do meio-dia e retornou só no início da noite. “Alguns dias chegou só de madrugadaâ€, lembra. Na casa, que moram cinco pessoas, a reservação é de 1.000 litros. A assessoria de imprensa do DAE informa que o ideal é ter reserva para 24 horas.
Franciele Costa, que mora na Vila Ipiranga, diz que também aprendeu a conviver com a torneira direto da rua seca em alguns períodos do dia. “O jeito foi reduzir o consumo, deixar de lavar calçadas, carro. Aqui em casa temos duas caixas d’água grandes e por isso não fomos afetados de cheioâ€, frisa.