Bairros

Defesa Civil mapeia 270 áreas de risco

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

O município de Bauru tem 270 áreas consideradas de risco pela Defesa Civil. A maioria desses locais é classificada como de pequena probabilidade de representar perigo à população, mas dez estão entre médio e grande risco, como é o caso das avenidas Alfredo Maia e Nações Unidas, que ficam inundadas durante chuvas fortes, e da Pousada da Esperança e do Parque Jaraguá, onde existem erosões grandes.

O mapeamento das áreas de risco é a primeira medida para combatê-las, afirma o coronel Roberto Allegretti, secretário-chefe da Casa Militar e coordenador estadual da Defesa Civil que visitou a região de Bauru, nesta semana. “Após a identificação é possível desenvolver um plano de trabalho que vai do monitoramento dessas áreas até a desocupação, caso haja necessidade”, explica.

E, em outra vertente, ressalta Allegretti, está a realização de obras para eliminar o risco dessas áreas. É o que começa a ser feito no córrego Água do Sobrado, que nas chuvas fortes do início deste ano transbordou e causou inundação na avenida Alfredo Maia.

Apesar do serviço de dragagem no leito no rio, para aumentar a capacidade de vazão de água, o risco de inundação nas próximas chuvas fortes é muito alto, avalia Álvaro de Brito, coordenador da Comissão Municipal de Defesa Civil. “A dragagem vai amenizar os problemas na Alfredo Maria, mas só serão sanados após a construção da barragem de contenção da água da chuva na parte alta do córrego”, opina.

Quatro pessoas morreram vítimas das inundações em Bauru no início deste ano. Duas delas - um motociclista e uma enfermeira - foram tragadas pela enxurrada na quadra 3 da Alfredo Maia. Para Brito, até a barragem de contenção ser construída, em caso de chuva forte, a solução é evitar passar pelo local.

“Vamos lançar mão de todas as estratégias, principalmente alertar à população através da imprensa, para que as pessoas não passem pelos locais de risco enquanto a água não baixar”, afirma. A prefeitura, através da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), abriu licitação recentemente para contratar uma empresa para fazer o projeto da barragem no córrego Água do Sobrado.

Apesar do número elevado de pontos problemáticos, o capitão Manoel Messias de Mello, que é coordenador regional da Defesa Civil, explica que muitos são classificados de pequeno risco. “Nesse levantamento estão erosões pequenas. Os pontos mais graves estão sob controle, como é o caso das erosões da Pousada da Esperança”, lembra.

Brito lembra que o mapeamento inclui ruas que costumam inundar, mas sem causar danos maiores. Messias ressalta que a maioria das áreas de risco surge devido à ocupação do solo sem o devido planejamento.

“Achamos que a tendência é a estabilização dos pontos de risco porque a ocupação indevida de áreas, as favelas, têm reduzido”, frisa. Uma dessas áreas críticas, a rua Natal Fornazari, no Ferradura Mirim, deverá ser eliminada quando a prefeitura terminar de implantar galerias pluviais, obra que foi iniciada recentemente, lembra ele.

Menos crítica

Apesar de ter 270 áreas de risco, Bauru não é uma região crítica, comparando-se com outras regiões do Estado de São Paulo, segundo o coronel Allegretti. “A preocupação é com cidades localizadas na Serra do Mar, onde o risco de desmoronamento é grande. Cubatão, por exemplo, tem bairro inteiro construído na encosta da serra. Se chover pode ocorrer desmoronamento e mortes”, relata.

Outra região problemática é a do Vale do Ribeira por causa da inundação do rio Ribeira, conta o coordenador estadual da Defesa Civil. “Já chegamos a remover 1.600 pessoas das áreas ribeirinhas. O mesmo ocorre no Vale do Paraíba, nos municípios cortados pelo rio Paraíba do Sul. Outra localidade problemática é a cidade de São Paulo, causa da ocupação desordenada do solo”, afirma.

O coronel ressalta que no verão passado choveu mais que no de 2001 e o número de mortes caiu no Estado. “Mais municípios foram atingidos, mas tivemos 60% menos mortes. Hoje temos planos preventivos, que vão da remoção dos moradores das áreas de risco, ao monitoramento de rios através do sistema de telemetria, que mostra quanto o rio vai subir e qual região será inundada”, finaliza.

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Entrega de obras

O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Roberto Allegretti, acompanhado de sua equipe, visitou Ubirajara, Cabrália Paulista, Avaí, Presidente Alves, Lençóis Paulista e Macatuba anteontem e ontem para entregar obras. “Estamos entregando galerias pluviais em seis cidades e uma ponte”, conta.

Apesar da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil ajudar os municípios vitimados por calamidades naturais, as obras de infra-estrutura para eliminar os riscos são de competência das prefeituras, assim como a manutenção das comissões municipais do órgão, esclarece o coronel Allegretti.

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