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Segunda-feira


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Proponho uma reflexão sobre o dia seguinte às eleições do próximo domingo. As evidências indicam como prováveis as vitórias de Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, mas há algo mais importante a ser registrado e comemorado: a consolidação democrática. É motivo de festa o sinal de vitalidade da democracia em nosso País. Isso ficou evidente no primeiro e no segundo turnos das eleições, o que nos dá a certeza de que o País suporta o debate, convive com a diversidade e saberá estabelecer as maiorias que serão necessárias para construir o seu futuro.

Ninguém tem a ilusão de que viveremos um período róseo, sem dificuldades. Será inevitável a turbulência na mudança do status quo e no estabelecimento de uma nova cultura política que, consagrada pelas urnas, irá se impor e respaldar a necessária transformação econômica e social. No entanto, estou absolutamente otimista quanto ao entendimento do recado que emerge das urnas: o povo quer mudanças com estabilidade e não admite ódios e vinganças.

Somos um País amadurecido politicamente e capaz de sepultar as teses de “salvadores da pátria” e de “donos da verdade”. Somos um País de pessoas dispostas a estabelecer pontos de ação que reúnam a todos. O caminho não será fácil, sobretudo pela complexidade e gravidade da situação econômica que será herdada pelo próximo presidente. Existirão pressões de toda ordem: vencimentos de curto prazo de dívidas irresponsavelmente contraídas; cláusulas cambiais que acirram a vulnerabilidade externa; e necessidade de respostas urgentes ao drama social.

Cabe a cada um de nós ajudar a baixar a bola e fazer prevalecer o bom-senso e a paciência. As soluções de que precisamos não podem ser imediatistas e de curto prazo. Advirão embasadas na reforma tributária, na reforma previdenciária, enfim, com o estabelecimento de bases sólidas para um desenvolvimento econômico sustentado. Isto se baseará no apoio à produção, às exportações, ao fortalecimento do mercado consumidor, à distribuição de renda e na certeza de que é necessário tempo para que isto ocorra.

No novo cenário é previsível o papel decisivo do Estado de São Paulo e é fundamental a ampliação de sua representação política. São Paulo precisa fazer valer a sua voz para impedir a continuação da guerra fiscal, um atentado a qualquer sensatez e racionalidade tributária do nosso País. São Paulo necessita ver respeitada a sua participação eqüitativa daquilo que produz em termos nacionais, tendo a necessária contrapartida orçamentária. Precisa de ajuda para resolver os seus problemas de segurança pública e de ocupação urbana desordenada e acelerada, que se vive não só na Grande São Paulo, mas agora também na Grande Campinas, na região da Baixada Santista e em outros pólos de desenvolvimento.

Segunda-feira acordaremos com a natural ressaca da festa cívica da democracia. Ao abrir os olhos poderemos enxergar um Brasil e um São Paulo repleto de desafios, mas inundado de oportunidades. Mais do que nunca estará acesa a chama da esperança neste início de vida nova. Se derrotarmos a ansiedade e o imediatismo o futuro que nos aguarda haverá de ser promissor. (O autor, Arnaldo Jardim, é deputado estadual)

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