Ferroviários da ativa de Bauru aprovaram ontem por unanimidade a venda da Estação da Noroeste do Brasil (NOB). O assunto foi discutido em assembléia realizada em frente à entrada principal da Ferrovia Novoeste, promovida pelo Sindicato de Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
O protocolo de venda da estação foi assinado no início do mês. Ele libera a venda do prédio para o Grupo Marka pelo valor de R$ 6 milhões. O dinheiro será revertido para pagamento de duas ações trabalhistas envolvendo os ferroviários da ex-Superintendência Regional de Bauru (SR-10) da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA).
Os empreendedores propõem-se a pagar o valor ao sindicato em cinco anos, em parcelas trimestrais corrigidas. O ferroviário Sérgio Alves Dias, que trabalha como truqueiro, conta que tem cerca de R$ 2 mil a receber referentes à ação.
“Eu concordo (com a venda do prédio da estação) porque é para pagar a gente. Isso é patrimônio público que vai até trazer benfeitorias para a população. Não vai ser desmanchado e vai trazer empregos para as pessoas de Bauruâ€, diz.
O manobrador Jorge Crepaldi também votou favoravelmente à venda do prédio. “Eu acho que tem mais é que ser vendido mesmo porque pelo menos mata essas ações. Se for para precatório, aí a gente não recebe nadaâ€, acredita.
O ferroviário Mauri Campos Brito destaca como importante não apenas o pagamento da dívida que a rede ferroviária tem com os funcionários, mas também os empregos que a venda deverá gerar em Bauru. “A sociedade toda será beneficiada porque isso irá permitir obviamente a abertura de vários empregosâ€, salienta.
“Quanto a nós que estamos na ativa, isso traz a possibilidade de continuar acreditando no trabalho que o sindicato vem realizando, de fortalecer os princípios da democraciaâ€, acrescenta Brito.
Ele afirma, no entanto, que o ideal teria sido receber esses valores há 12 anos. “Infelizmente não houve essa possibilidade e agora, parcialmente, nós estamos sendo justiçados. Está tudo muito claroâ€, reforça.
Apesar da aprovação ter sido unânime entre os funcionários da ativa, alguns deles não estão bem informados sobre o processo. É o caso de Benedito Pimentel, que levantou a mão favoravelmente à venda do prédio da estação.
“Eu nem sei em que pé está. Eu participei (da assembléia) mais ou menos, em parte. Eu concordo com eles e eu votei a favor porque é uma boa coisa para nós. É uma coisa que a gente não esperavaâ€, diz.
Aposentados e desligados
Às 19h30, o sindicato promoveu outra assembléia para tratar do mesmo assunto, Desta vez, o termo de venda da estação foi exposto a aposentados e ferroviários desligados da RFFSA.
De acordo com José Carlos da Silva, coordenador administrativo do sindicato, a venda foi aprovada pela maioria dos presentes - cerca de 50 pessoas.
Ele afirma que não esperava um maior número de participantes já que a ação envolve muitos ferroviários que não são de Bauru.
Muitas pessoas, segundo da Silva, fizeram questionamentos sobre a forma de pagamento. O coordenador explicou que o pagamento será parcelado ao sindicato, mas que cada trabalhador receberá seus valores integralmente. A prioridade será dada aos associados. Os demais serão contemplados conforme ordem estabelecida através de sorteio.
De acordo com o presidente do sindicato, Roque Ferreira, a venda deverá beneficiar 4.436 ferroviários “de Bauru a Corumbá, Campo Grande a Ponta Porãâ€. Destes, cerca de mil são da região de Bauru.
O grupo Marka quer fazer no local um centro de entretenimento com lojas comerciais, estacionamento coberto, salas de cinema, teatro, salas de convenções, parque temático e praça de alimentação.