Bairros

Comissão vai estudar a falta d’água

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O prefeito Nilson Costa (PPS) acatou o requerimento protocolado pelo vereador José Eduardo Ávila (PPB) e vai instalar uma comissão para buscar solução para o problema de abastecimento de água em Bauru. Desde o último dia 7, quando foi constatada queda no nível do rio Batalha, a cidade enfrenta rodízio e vários bairros estão passando até 24 horas sem água.

Pelo terceiro dia consecutivo, na madrugada de ontem uma das duas bombas que retira água do Batalha foi desligada porque o nível do rio reduziu muito - nesse período operou com um terço da capacidade, já que a terceira bomba está desligada há dias. Ontem, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) recebeu 72 reclamações de falta de água e 47 pedidos de caminhão-pipa.

A sugestão de Ávila é estudar a possibilidade de captar água do rio Tietê para abastecer Bauru. “Araçatuba vai começar a captar água do Tietê. A Câmara já aprovou a liberação da verba para a obra, em torno de R$ 15 milhões”, comenta. O prefeito diz que nos próximos dias vai nomear os integrantes da comissão, para que comecem os estudos.

Porém, ele lembra que a retirada de água do Tietê já foi discutida em outra época. “Quando eu era vereador, no final da décadas de 50, o então vereador Elziário Barbosa, da bancada do PTN (Partido Trabalhista Nacional), apresentou requerimento sugerindo a captação de água do Tietê. A proposta não prosperou porque se tratava de um projeto caro”, afirma.

Apesar de favorável aos estudos, Nilson acredita que o problema de abastecimento em Bauru é momentâneo e que será resolvido assim que chover. “A comissão terá que verificar a potabilidade da água do Tietê, como tratá-la e como trazê-la para Bauru. É uma sugestão, mas não para resolver a situação já. De imediato, o que pode resolver são três ou quatro chuvas boas”, diz.

Nilson afirma que Bauru, nos últimos 50 anos, enfrentou crise no abastecimento em períodos de estiagem, mas concorda que agora é preciso buscar solução para o futuro. “Sempre tivemos essas crises em épocas de estiagem. Mas vou me reunir com o presidente do DAE para nomear a comissão”, completa.

Ávila sugere que o grupo de estudos seja formado por técnicos do DAE, da prefeitura, da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag) de Bauru e de órgãos federais e estaduais ligados ao setor de meio ambiente.

Morador na quadra 1 da rua Pará, em uma das regiões mais atingidas na cidade, a Vila Cardia, o vendedor César Souza Mesquita conta que tem tomado banho de canequinha. “Moro em prédio, no terceiro andar, e no meu apartamento a última vez que teve água foi na terça-feira. Desde então, só na torneira do térreo”, relata.

O jeito, conta César, é carregar baldes de água escadas acima. “Não dá para lavar louça, roupa e limpar a casa. Quem não tem parentes em outros bairros, para recorrer pelo menos para o banho, está sofrendo. E a gente sabe que a causa não é a falta de chuva. O problema é que não fizeram investimentos”, critica.

O advogado José Norival Pereira Júnior, também morador do prédio, já incluiu na rotina carregar baldes de água para o apartamento. “Pego água pelo menos para escovar os dentes, lavar o rosto e para a descarga. Como fora e estou tomando banho na casa de amigos, onde tem água”, conta.

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Restaurante

A falta de água nas torneiras é ainda mais complicada para quem depende do produto para trabalhar. Carlos César Ramos, proprietário de um restaurante no Centro, conta que teve que fechar o estabelecimento no último dia 12.

“Eu já tinha avisado meus clientes que iria abrir, mas quando cheguei não tinha água nas caixas. Tive que dispensar os funcionários e informar os clientes”, lembra.

O estabelecimento, segundo Ramos, tem reservação de 3 mil litros de água. “Mas em alguns dias não é suficiente porque fica muito tempo sem receber água da rua. A ordem aqui é economizar. Ao invés de lavar o salão, estamos fazendo limpeza com pano úmido”, afirma.

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