Rural

Vacinação contra aftosa terá incentivo

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Com o objetivo de incentivar a vacinação obrigatória de gado contra a febre aftosa, que neste ano deverá ser feita no período de 1 a 30 de novembro (segunda etapa), foi criada a Comissão Permanente de Desenvolvimento da Pecuária de São Paulo. Para realizar uma ampla campanha de esclarecimento e orientação, que inclui divulgação na mídia, foi levantado um orçamento de R$ 1 milhão.

A informação é do pecuarista Maurício Lima Verde, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), escolhido como o principal representante da comissão, que também engloba outras entidades e sindicatos do setor rural.

De acordo com Lima Verde, em todo o Brasil a abrangência da vacinação já é em torno de 99%, bem como no estado de São Paulo. Mas mesmo com esse índice, a vacina não pode deixar de ser aplicada em todos os animais de casco fendido, principalmente bovinos, suínos, ovinos e caprinos.

“O fato de termos índice de 99% de vacinação não significa que os pecuaristas podem parar de vacinar seu gado. A vacina contra aftosa é obrigatória. E não adianta nada lançar mão de técnicas antigas, como passar querosene na nuca do animal, conforme alguns chegaram a acreditar há muito tempo atrás”, observa Lima Verde.

Segundo ele, no Brasil existem cerca de 160 milhões de cabeças de gado. No estado de São Paulo são em torno de 12 milhões. Do total da carne brasileira que é exportada, principalmente para os Estados Unidos e comunidade européia, 70% é produzida no estado de São Paulo.

“Além da vacinação ser obrigatória, esse número ressalta a responsabilidade dos pecuaristas do estado de proteger seu gado contra a febre aftosa. Hoje, o controle sobre essa doença é muito severo. Se for descoberto que numa pequena fazenda do Interior existe foco de aftosa, isso gera proporções desastrosas, que podem até chegar ao impedimento das exportações”, ressalta Lima Verde.

Represália

O vice-presidente da Faesp lembra o caso do Paraguai, onde uma suspeita de febre aftosa está sendo investigada por uma comissão técnica coordenada pelo Centro Panamericano de Febre Aftosa (Panaftosa) e por veterinários brasileiros.

A suspeita gerou a primeira medida de represália do país vizinho. A Câmara Federal do Paraguai aprovou um projeto propondo o confisco ou a venda de fazendas de estrangeiros localizadas no raio de 50 quilômetros da fronteira com o Brasil.

A medida, que ainda depende de aprovação pelo Senado, atinge inúmeras propriedades de fazendeiros brasileiros localizadas nas áreas de fronteira.

De acordo com Lima Verde, na época da vacinação contra febre aftosa do ano passado chegou a faltar vacina para abastecer o mercado. “Neste ano, já nos foi garantido pelos laboratórios que não faltarão doses para a venda”, diz.

A partir do início de novembro, a Comissão Permanente de Desenvolvimento da Pecuária de São Paulo investirá pesado no incentivo à vacinação através de palestras, eventos diversos e extensa divulgação na mídia.

“A idéia da comissão é de conseguir que todo o plantel do estado de São Paulo seja vacinado durante essa campanha”, afirma Lima Verde.

Dados do Escritório de Defesa Agrícola (EDA), que abrange 15 municípios ao redor de Bauru, mostram que o rebanho estimado na região gira em torno de 450 mil cabeças de gado.

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O que é

A febre aftosa é uma enfermidade altamente contagiosa que ataca a todos os animais de casco fendido, principalmente bovinos, suínos, ovinos e caprinos. Os animais podem ser infectados em qualquer idade, independentemente do sexo e do clima da região onde vivem.

A doença é produzida por, pelo menos, seis tipos de vírus. Não há transmissores de aftosa. O vírus é vinculado pelo ar, água e alimentos, apesar de ser sensível ao calor e à luz.

O vírus se isola em grandes concentrações no líquido das vesículas dos animais, que se formam na mucosa da língua e nos tecidos moles em torno das unhas. O sangue contém grandes quantidades de vírus durante as fases iniciais da doença, quando o animal é muito contagioso.

A gravidade da aftosa não decorre apenas das mortes que ocasiona, mas principalmente dos prejuízos econômicos aos pecuaristas. A perda de apetite causada pela doença resulta em perda de peso do gado, quebra da produção leiteira, crescimento retardado e menor eficiência reprodutiva.

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