Bairros

Terra será armazenada na fábrica

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Embora não haja uma data marcada para o início da raspagem de terra no Jardim Tangarás, bairro atingido pela contaminação por chumbo emitido pela Fábrica de Baterias Ajax, já foi definido o destino da terra retirada do local: a própria empresa.

O diretor técnico da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani, explica que a Saúde solicitou à Cetesb autorização para que a terra fosse armazenada na sede da Ajax.

“Nós entendemos que a empresa é uma área contaminada. Então estamos colocando material possivelmente contaminado numa área também possivelmente contaminada”, diz.

“Estamos lidando com um material que, em tese, está contaminado por chumbo. Então temos que dar uma destinação adequada a ele”, destaca Viviani.

De acordo com a secretária municipal de Saúde, Sônia Fiocchi, são cerca de cinco mil metros cúbicos de terra. “Será um barracão na empresa. Tem que ser um local fechado”, explica.

As ações subseqüentes à raspagem da terra de ruas e quintais são limpeza e aspiração nos interiores das residências. “Nós estamos solicitando que a empresa faça com supervisão e auxílio dos técnicos das várias secretarias”, diz Sônia. A impermeabilização dos pisos das três casas de terra batida ficará por conta da Secretaria Municipal de Obras.

O assunto será discutido em reunião que será realizada na próxima segunda-feira, em que a empresa dirá o que poderá disponibilizar para a ação. Na ocasião, também deverá ser discutida uma data para o início da raspagem do solo.

“Temos a necessidade de um aspirador, de pessoal para fazer a remoção, de tambores para deslocar o material, de carro-pipa para umectar o terreno. Trata-se de uma série de questões e nós entendemos que a empresa tem que participar desse processo”, enfatiza Viviani.

Se acordo com a secretária municipal de Saúde, a Ajax tem sinalizado favoravelmente às ações de descontaminação.

Estudo

O estudo epidemiológico realizado pela DIR-10 para descontaminação da área prioritária, com vistas a evitar recontaminação de moradores, foi concluído no início do mês de agosto. Na ocasião, o órgão fez recomendações como limpeza das casas, plantio de grama nos quintais e asfaltamento da área - que foi substituído pela raspagem do solo.

“A Secretaria do Estado da Saúde fez algumas recomendações para acelerar esse processo de recuperação das crianças e, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, organizou uma proposta de recuperação da área voltada para aqueles pontos que entendemos como os mais críticos, onde as crianças apresentavam índices de contaminação maior”, diz Viviani.

Por enquanto, a administração municipal realizou a limpeza de cerca de 300 caixas d’água na região do Jardim Tangarás. Paralelamente a isso, as crianças com altos índices de chumbo no sangue estão recebendo assistência médica e já apresentam sinais de redução da quantidade do poluente no organismo.

De acordo com Sônia, as ações subseqüentes não foram realizadas pelo impasse sobre o destino da terra que deverá ser retirada do local.

“Na minha avaliação, não está indo nada devagar”, opina o diretor técnico da DIR-10.

Enquanto isso, os moradores da região continuam decepcionados com a ação do poder público. É o caso de Zaqueu Vieira da Silva, membro da Associação de Moradores do Jardim Tangarás.

“Está tudo parado. Estamos num mato sem cachorro e não sabemos para onde correr. A associação de moradores pensa em abrir um processo contra a empresa mas está difícil. Ainda não sabemos por onde começar”, reclama.

Comentários

Comentários