Embora não haja uma data marcada para o início da raspagem de terra no Jardim Tangarás, bairro atingido pela contaminação por chumbo emitido pela Fábrica de Baterias Ajax, já foi definido o destino da terra retirada do local: a própria empresa.
O diretor técnico da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani, explica que a Saúde solicitou à Cetesb autorização para que a terra fosse armazenada na sede da Ajax.
“Nós entendemos que a empresa é uma área contaminada. Então estamos colocando material possivelmente contaminado numa área também possivelmente contaminadaâ€, diz.
“Estamos lidando com um material que, em tese, está contaminado por chumbo. Então temos que dar uma destinação adequada a eleâ€, destaca Viviani.
De acordo com a secretária municipal de Saúde, Sônia Fiocchi, são cerca de cinco mil metros cúbicos de terra. “Será um barracão na empresa. Tem que ser um local fechadoâ€, explica.
As ações subseqüentes à raspagem da terra de ruas e quintais são limpeza e aspiração nos interiores das residências. “Nós estamos solicitando que a empresa faça com supervisão e auxílio dos técnicos das várias secretariasâ€, diz Sônia. A impermeabilização dos pisos das três casas de terra batida ficará por conta da Secretaria Municipal de Obras.
O assunto será discutido em reunião que será realizada na próxima segunda-feira, em que a empresa dirá o que poderá disponibilizar para a ação. Na ocasião, também deverá ser discutida uma data para o início da raspagem do solo.
“Temos a necessidade de um aspirador, de pessoal para fazer a remoção, de tambores para deslocar o material, de carro-pipa para umectar o terreno. Trata-se de uma série de questões e nós entendemos que a empresa tem que participar desse processoâ€, enfatiza Viviani.
Se acordo com a secretária municipal de Saúde, a Ajax tem sinalizado favoravelmente às ações de descontaminação.
Estudo
O estudo epidemiológico realizado pela DIR-10 para descontaminação da área prioritária, com vistas a evitar recontaminação de moradores, foi concluído no início do mês de agosto. Na ocasião, o órgão fez recomendações como limpeza das casas, plantio de grama nos quintais e asfaltamento da área - que foi substituído pela raspagem do solo.
“A Secretaria do Estado da Saúde fez algumas recomendações para acelerar esse processo de recuperação das crianças e, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, organizou uma proposta de recuperação da área voltada para aqueles pontos que entendemos como os mais críticos, onde as crianças apresentavam índices de contaminação maiorâ€, diz Viviani.
Por enquanto, a administração municipal realizou a limpeza de cerca de 300 caixas d’água na região do Jardim Tangarás. Paralelamente a isso, as crianças com altos índices de chumbo no sangue estão recebendo assistência médica e já apresentam sinais de redução da quantidade do poluente no organismo.
De acordo com Sônia, as ações subseqüentes não foram realizadas pelo impasse sobre o destino da terra que deverá ser retirada do local.
“Na minha avaliação, não está indo nada devagarâ€, opina o diretor técnico da DIR-10.
Enquanto isso, os moradores da região continuam decepcionados com a ação do poder público. É o caso de Zaqueu Vieira da Silva, membro da Associação de Moradores do Jardim Tangarás.
“Está tudo parado. Estamos num mato sem cachorro e não sabemos para onde correr. A associação de moradores pensa em abrir um processo contra a empresa mas está difícil. Ainda não sabemos por onde começarâ€, reclama.