Tribuna do Leitor

PARA LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA - UMA HOMENAGEM


| Tempo de leitura: 2 min

O que fez de Portinari um grande artista?

O que fez de Machado de Assis um grande escritor?

O que faz de Lula um grande político?

É fantástico poder visualizar a força que é construída por uma vida difícil, somada à capacidade sensível, perceptiva e sábia daqueles que a entendem como sinal, como dom e portanto determinadora de compromissos para com o próximo. Essas pessoas são guiadas por uma força espantosa, iluminadora, que em determinado momento eclode... visível, em ações, cores e formas.

A mesma força que motiva, impulsiona um artista popular anônimo, verdadeiro artista, porém sem nome, sem identidade, sem a academia das elites. Força esta que nos fez conhecer um Portinari, o qual tendo apenas os estudos primários soube superar essa limitação pois, maior que ela, era sua cultura pessoal, sabedoria e o compromisso com um Brasil em busca de sua identidade cultural, sua gente, mestiça, sofredora. Embora filho de italianos, fez da vida brasileira e seus problemas sociais, seu tema, como podemos apreciar em uma resposta sua a uma pergunta feita por Vinícius de Moraes (1953), sobre sua posição política. Diz Portinari: “Não pretendo entender política. Minhas convicções, que são fundas, cheguei a elas por força de minha infância pobre, de minha vida de trabalho e luta, e porque sou um artista. Tenho pena dos que sofrem, e gostaria de ajudar a remediar a injustiça social existente. Qualquer artista consciente sente o mesmo.”

Força que o levou a descobrir, criar e usar a forma e a cor que o transformaria num poeta da cor e não da palavra... Ele próprio lamentaria essa limitação escolar, sentida, e expressa por ele: “Quanta coisa eu contaria se pudesse e soubesse ao menos a língua, como a cor.” E com essa voz, que lhe foi dada pela vida, como dom, se fez ouvir e foi reconhecido pelo meio culto no Brasil e em outros países do Mundo.

Finalizaria com uma expressão de Machado de Assis, outro grande da nossa literatura, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Diz ele: “Notai que o que legitima um vocábulo destes, é a sua espontaneidade. Eles nascem como plantas da terra. Não são flores artificiais de academias, pétalas de papelão recortadas em gabinetes, nas quais o povo não pega. Ao contrário, as geradas naturalmente é que acabam entrando nas academias.” (A Semana, 1893). Aliás, o próprio Machado de Assis foi criança pobre, órfã, nascida no subúrbio, enfrentou barreiras com sua cor mulata para ser aceito pela intelectualidade.

Essa força espontânea, natural, que legitima um vocábulo... é a mesma que legitimou um Machado de Assis, um Cândido Portinari e legitimará um Lula... Nascido da terra... da vida... criado pela voz do povo e não da academia, capaz de fazer repensar e criar uma nova Academia onde a cultura do povo tenha voz e vez. (Lucila Gomes Barbosa - professora de Artes Plásticas - lucilagomes@hotmail.com)

Comentários

Comentários