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Média de idosos também é superior

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru envelhece no mesmo ritmo que o Estado e o País, mas proporcionalmente conta com um número maior de idosos. É o que indicam os dados levantados pelo Instituto Data-ITE, órgão ligado ao Instituto Toledo de Ensino.

A informação não surpreende o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito. Ele lembra que toda aquela grande população de jovens que participou do chamado “milagre brasileiro”, na década 70, envelheceu.

“Além disso, a Saúde oferece recursos para que a expectativa de vida aumente. Antigamente, crianças e adultos tomavam os mesmos medicamentos. Hoje, essa realidade mudou”, ressalta.

O fato da cidade ter contado com um aparelho estatal forte, com a instalação de várias repartições públicas, também pode ter favorecido a permanência no município de idosos, já que eles dispõem de proventos que não são altos, mas que garantem a sobrevivência de suas famílias. Essa é a opinião do professor de sociologia da ITE, Hilário Rosa.

Independentemente das razões que estimularam o crescimento do número de pessoas com mais de 60 anos na cidade, o integrante do Conselho Municipal da Pessoa Idosa, Mário de Jesus, de 68 anos, acredita que o País não esteja preparado para respaldá-los.

“Quase ninguém se prepara para a velhice, assim como eu não me preparei. Os municípios, Estados e o País também não estão prontos para cuidar desta população”, explica.

Segundo ele, um bom exemplo da falta de planejamento é a saúde pública. Por essa razão, uma das principais reivindicações da população mais velha do município ao conselho é a ampliação do Programa Municipal de Atenção ao Idoso (Promai), da Secretaria Municipal da Saúde.

O Promai recebe cerca de duas mil pessoas por mês com mais de 60 anos, através de atendimento ambulatorial e residencial. Para isso, conta com uma equipe multidisciplinar de médicos, conforme informa a Secretária Municipal da Saúde, Sônia Fiochi.

O programa também oferece grupos terapêuticos e de lazer, que estimulam seus integrantes a desenvolver trabalhos manuais. Desta maneira, além de auxiliar os colegas acamados com a venda de artesanatos, por exemplo, também podem driblar problemas como a depressão, uma das principais queixas da terceira idade, conforme aponta Roseli D’Ávila Vasconcelos.

Para evitar abatimentos desta natureza, a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) outros oferece programas aos idosos. Um deles, denominado Pronto de Encontro da Terceira Idade, atende 250 pessoas e busca valorizar a qualidade de vida de seus membros através de atividades físicas, educacionais e culturais.

O programa de dignificação é um outro serviço oferecido pela Sebes. Através dele, denúncias de maus-tratos contra pessoas da terceira idade e portadoras de deficiências são apuradas e resolvidas. “Só este ano recebemos duas mil queixas”, enfatiza a diretora da Divisão de Assistência Social à População, Helenir Latanzio.

Apesar do aparente empenho, os recursos destinados aos 28.594 idosos de Bauru ainda são insuficientes. Esta é a opinião da vice-presidente do conselho, Eliana Juarez.

Para ela, a política nacional para a terceira idade precisa ser melhorada, já que as necessidades são muitas, como moradia adaptada, vagas no mercado de trabalho e salários dignos.

Porém, para que esta realidade seja alcançada, os idosos precisam se organizar e cobrar atuação dos órgãos competentes, conforme defende a assistente social da Sebes, Beatriz Almeida Stringace.

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