A exemplo do rio Lençóis, o Batalha também caminha a passos largos rumo a desertificação. Com a nascente desprotegida e uma mata ciliar precária em alguns trechos, a principal fonte de água da cidade de Bauru está registrando seguidas quedas em seu nível.
De acordo com as previsões do ambientalista Rodrigo Agostinho, no ritmo que está, o nível do rio Batalha deve chegar próximo a zero em apenas três anos.
Se for levada em consideração o atual volume do rio, a previsão não está tão distante de se transformar em realidade.
De acordo com o ex-prefeito de Avaí e tenente-coronel da reserva, Sérgio Andrade Moreira, só nos últimos 12 meses, o rio Batalha teria baixado seu volume em aproximadamente um metro.
Desde 1986, ele possui um rancho às margens do rio, em Avaí. O ex-prefeito, mais conhecido na cidade como ‘Capitão’, conta que naquela época era normal ver pessoas pescando, nadando ou mesmo passeando de barco - o rio Batalha nasce em Agudos e passa por Piratininga, Bauru, Avaí e Reginópolis, antes de desaguar no rio Tietê, próximo a Uru.
Hoje, lamenta o militar, o volume de água que passa ao lado de sua propriedade não oferece condições para nenhuma das três práticas do passado.
Segundo ele, se um barco se aventurar a percorrer o rio ficará encalhado em algum dos vários bancos de areia que tomaram conta do leito do rio.
“Deixei de vir para o rancho com tanta frequência, porque ver o Batalha do jeito que ele está é motivo de desgostoâ€, declarou o ex-prefeito.
Ele não acredita que a falta de chuva seja a única responsável pelo baixo volume da água. De acordo com Moreira, a cada ano que passa o nível vai baixando cada vez mais.
Os outros vilões apontados por ele são a agricultura e o desmatamento.
Na opinião do ex-prefeito, muitos agricultores tem usado a água do rio Batalha para irrigar grandes hortas e lavouras. Por outro lado, o desmatamento irregular estaria, segundo ele, assoreando o leito do rio e deixando-o com uma cava cada vez mais rasa.
Moreira conta que no ano passado, nessa mesma época, o rio estava pelo menos um metro acima do que está hoje. “Está chovendo pouco este ano, mas o nível do rio não era para estar desse jeitoâ€, lamenta.
Antigamente, para buscar o barco do outro lado do rio, Moreira precisava nadar contra a correnteza. Hoje, ele vai andando, com a água batendo em seu joelho. “Em 16 anos, nunca vi o rio em um nível tão baixoâ€, afirmou.
Apesar do volume do Batalha estar registrando queda ano após ano, Moreira disse que a situação teria se agravado nos últimos dois anos.
“O que me dá mais medo é a possibilidade de um dia ver esse rio secoâ€, revelou o militar, que nasceu e cresceu em Avaí e teve a vida sempre ligada ao rio.
Desde sua nascente, em Agudos, o rio Batalha recebe água de afluentes como o córrego Água da Faca, Água do Paiol, Antinha, Araribá, Anhumas, Jacutinga e Batalhinha.
No domingo passado, para complicar ainda mais a situação do Batalha, uma área de aproximadamente 700 mil metros quadrados (70 hectares) foi destruída por um incêndio. Próximo ao local fica a nascente do rio.
O fogo, por muito pouco, não atingiu as cerca de 220 mil mudas de árvores nativas plantadas graças ao projeto de reflorestamento do Fórum Pró-Batalha.