A estiagem dos últimos dias, associada à negligência do poder público, está produzindo imagens cada vez mais assustadoras na região. A mais recente e uma das mais trágicas pode ser contemplada (sem nenhuma admiração) nas terras da fazenda São Benedito, em Agudos.
Lá, em uma pequena serra, nasce o rio Lençóis, ou melhor, nascia. Há uma semana, a fonte secou e o local onde corria água, hoje transformou-se em um desértico banco de areia.
Em toda a margem não se vê uma árvore sequer. Mata ciliar, então, é uma realidade muito distante. A única espécie de vegetação que se vê no local é o capim. Sua contribuição para o rio é não deixar que os barrancos venham abaixo com tanta facilidade e agrave ainda mais o processo de assoreamento.
Mas não colabora em nada para evitar que a água fique cada vez mais escassa e que o rio vá secando com o passar do tempo. Essa nobre tarefa cabe à mata ciliar, inexistente na maioria das nascentes da região.
De acordo com o ambientalista Rodrigo Agostinho, membro do Vidágua, o único rio em boas condições de conservação, na região, é o Jacaré-Pepira. Ele nasce em Brotas e deságua no rio Tietê, próximo a Ibitinga.
As demais nascentes, segundo Agostinho, correm sérios riscos de desaparecer nos próximos anos se nada for feito para recuperar as respectivas matas ciliares.
Entre as nascentes mais importantes da região estão as do rio Batalha, rio Turvo, rio Alambari, rio Dourado e rio Aguapeí, entre outros.
Todas elas, segundo o ambientalista, sofrem com a falta de investimento. De acordo com especialistas, se nada for feito para reverter o quadro de desertificação dos rios, eles podem secar, a exemplo do que aconteceu com a nascente do rio Lençóis, dentro de 20 ou 30 anos.
“Vai sobrar só o rio Tietê. Seus afluentes vão desaparecerâ€, prevê Agostinho. No caso específico do rio Batalha, responsável pelo abastecimento de 43% da cidade de Bauru, o ambientalista acredita que em três anos sua nascente poderá secar. Da mesma forma como secou a nascente do rio Lençóis.
Pelos cálculos de Agostinho, fica mais barato conservar a mata ciliar de um rio do que recuperá-la por completo. Cada hectare (10 mil metros quadrados) de mata ciliar custa aproximadamente R$ 3 mil para ser plantado.
Na opinião do ambientalista, não é só a falta de chuva que está baixando o nível dos principais rios da região.
Apesar da estiagem deste ano ser uma das mais rigorosa dos últimos anos, ela sozinha não representaria tanto perigo. Mas aliada ao desmatamento nas margens dos rios, as conseqüências ficam mais visíveis e passam a preocupar.
De acordo com matéria publicada pelo Jornal da Cidade na segunda-feira passada, nos últimos dez anos foram desmatados mais de 15 mil hectares de cobertura vegetal natural.
A constatação foi feita pelo Instituto Florestal e leva em consideração os levantamentos obtidos na região administrativa de Bauru, que abrange 44 municípios.