Além dos prejuízos para a estatura, os distúrbios da puberdade podem causar conflitos psicológicos para a criança. Basta imaginar como se sentiria uma menina de oito anos ao ouvir as piadinhas dos meninos sobre o sutiã que ela usa. Ela será maior e mais desenvolvida que as amigas. Ou o menino que terá bigodes com 11 anos de idade.
No sentido inverso, pode-se supor o mal-estar de uma garota que, aos 15 anos, continua comprida e magricela, sem seios ou outras formas físicas. Ela é a única da turma que ainda não menstruou. Ou o garoto de 16 anos que continua sendo o “pirralho†da turma. Ir ao banheiro com os amigos deve ser um martírio para ele.
De acordo com a psicóloga Maria Regina Vanin, a criança/adolescente vai se sentir completamente desadaptada no convívio com os amigos. “Isso é horrível para o adolescente, porque esta é uma fase onde a identificação com o grupo é fundamental. Ele precisa se sentir igual aos outros, tanto que todos se vestem da mesma forma e falam as mesmas gírias. Eles têm que fazer parte daquela ‘tribo’â€, explica.
Quando existe uma precocidade ou atraso muito grandes no início da puberdade, até os interesses dele, a conversa dele diverge do grupo. A criança precoce tende a procurar amigos mais velhos, as tardias podem buscar o convívio com os menores.
“Agora imagine uma menina de 8 anos, que é grande e já menstrua, e que resolve conviver com meninas de 12 anos, que já têm namoradinhos. É uma criança que corre o risco de engravidar com uma precocidade absurdaâ€, observa Vanin.
Nestes casos, ela defende que o tratamento hormonal deve ser feito simultaneamente a um tratamento psicológico, para dar respaldo emocional às alterações tão precoces.
“Além desta precocidade patológica, a sociedade de hoje oferece muitos estímulos que despertam o interesse das crianças pela sexualidade muito cedo. A mídia banaliza o sexo e a violência. As músicas e suas coreografias são muito erotizadas. Nas famílias menos favorecidas, é assustador o índice de abuso sexual e prostituição, sem contar o convívio de adultos e crianças que dormem num único cômodo da casaâ€, comenta.
A psicóloga ressalta que as alterações hormonais despertam no adolescente sensações que ele não tinha antes, como arrepios quando é tocada. â€œÉ natural que essas sensações diferentes influenciem no comportamento da criança. Contudo, a reação dela depende de suas características pessoais e do meio familiar e social em que viveâ€, defende.
Para ela, a família precisa ter naturalidade para lidar com essas transformações, principalmente quando existe uma precocidade. Ela afirma que não é porque menstruou mais cedo que a garota tem que deixar as bonecas de lado.
“Se a criança se veste como adulto e os pais acham lindo, ela vai querer fazer isso sempre, porque os pais supervalorizaram isso (...) A atuação da família vai influenciar diretamente em como a criança vai vivenciar as mudançasâ€, completa.