Saúde

Tratamento requer injeções mensais

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O tratamento mais preconizado atualmente para regular os distúrbios de puberdade é o que prevê a injeção mensal de hormônios ou bloqueadores de hormônio. Mas de acordo com a endocrinologista Cibele Cabogrosso, nem todas as crianças precoces ou atrasadas precisam ser tratadas.

“Claro que se o distúrbio for causado por outra doença, vamos tratar a doença e acompanhar a evolução da puberdade. Mas 80% das meninas e 40% dos meninos que apresentam precocidade não têm uma causa específica”, salienta a médica. São considerados idiopáticos, ou seja, normais.

Nestes casos, a decisão leva em conta a estatura da criança e a diferença entre as idades cronológica e óssea dela. Segundo Cabogrosso, é o crescimento ósseo que indica a fase em que a criança se encontra com relação à puberdade.

Uma menina que aos sete anos tem 1,27 metro de altura e está com idade óssea de oito anos, por exemplo, não precisaria ser medicada. O motivo é que sua altura ainda estaria acima da média para oito anos.

Porém, se a criança tivesse 1,15 metro aos sete anos e idade óssea equivalente a oito anos, sua pontuação estaria na linha mínima aceita para os oito anos. Neste caso, o médico poderia optar por fazer o tratamento, bloquear o desenvolvimento hormonal da criança para que ela cresça até nivelar a estatura com a idade óssea e se aproximar da cronológica. Desta forma, a menina poderia chegar a uma estatura final considerada mediana.

De acordo com a endocrinologista, quanto mais cedo se descobre o distúrbio, maiores as chances de sucesso com o tratamento. No exemplo citado na pagina 3, Débora (nome fictício), identificou a alteração pelos dentes, antes do aparecimento de mamas e pêlos. No entanto, os exames hormonais mostraram que ela estava pronta para menstruar aos sete anos.

Ela vem sendo medicada há dois anos. Neste período, a menina ganhou mais altura até do que seria esperado sua idade. A puberdade começou - ela já tem mamas e pêlos, mas a menarca continua bloqueada e deverá permanecer assim até que ela complete 12 anos.

A duração do tratamento vai depender da evolução do caso. Em média, o paciente vai receber a medicação até atingir a idade em que seria normal iniciar a puberdade, entre 10 e 12 anos, em média.

“Estamos tratando uma criança que desenvolveu mama aos dois anos de idade. Ela vai receber o medicamento por todo esse tempo, até chegar aos 10 anos. Quando suspendemos a medicação, o processo de puberdade é retomado de onde parou”, comenta.

No caso das crianças com puberdade tardia, a duração vai depender da causa do distúrbio. Nos casos idiopáticos, a medicação pode ser suspensa após algum tempo de estímulo hormonal. Porém, meninos que não têm testículos e meninas que não têm ovários nunca terão a produção normal de hormônios. Portanto, terão que fazer a reposição hormonal pelo resto da vida.

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Medicamento é custeado pelo SUS

O tratamento que bloqueia a ação hormonal para tratar os distúrbios de puberdade pode ser feito através do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele faz parte de um programa do Ministério da Saúde que obriga a rede pública a fornecer gratuitamente ao cidadão todos os medicamentos de alto custo e de uso prolongado.

De acordo com a endocrinologista Cibele Cabogrosso, cada injeção custa, em média, R$ 270,00 a R$ 300,00. A família que recebe o diagnóstico, tem indicação de fazer o tratamento e não tem condições de pagar pode ser encaminhada ao programa do SUS.

De acordo com a enfermeira Ângela Maria Inforzato Pauletti, o paciente terá que apresentar vários exames para comprovar o problema. Depois disso, ele passará por um médico credenciado e por um auditor, que é quem vai autorizar ou não o tratamento.

“Havendo a autorização, o paciente inicia o tratamento e deverá repetir os exames e passar por nova auditoria a cada três meses até que o profissional determine que a medicação deve ser suspensa”, informa.

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