O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) acredita que Geraldo Alckmin (PSDB), reeleito para um mandato de mais quatro anos no governo do Estado, comandará a reestruturação do partido tucano em São Paulo, cujas decisões vão ter influência no cenário nacional.
O parlamentar avalia que Alckmin surge como uma nova liderança tucana, que terá de ser “ouvida e respeitada†pelos dirigentes máximos do PSDB.
Ele afirma que o governador acertou ao dizer, em entrevista concedida à Associação Paulista de Jornais (APJ) na semana que passou, que os tucanos precisam amassar mais barro e comer mais poeira.
“Sempre falei isso. O PSDB é muito elitizado, intelectualizado demais. Precisamos andar mais no meio do povo. Não adianta só ficar tomando uísque nas madrugadas, filosofandoâ€, opina.
O tucano também acha que o PSDB tem “muitos caciques e poucos soldadosâ€. “E nós precisamos de mais soldados que amassem barro, que trabalhem nas ruas, com entidades sociaisâ€, prega.
Tobias, porém, entende que essa mudança comportamental do PSDB é natural do meio político. “Tudo na vida é passível de aperfeiçoamento. Na vida profissional, na família, no trabalho sempre paramos para pensar e rever posições. Na vida partidária também é assimâ€, diz.
Na avaliação dele, a reeleição de Alckmin o põe, obrigatoriamente, na lista de presidenciáveis de 2006. “Se depender de mim, é meu candidato. O Alckmin é uma nova liderança incontestável dentro do PSDB. Se ele disputar a presidência, vou tentar uma vaga à Câmara dos Deputados em 2006â€, adianta.
O deputado analisa que o relacionamento do governador reeleito de São Paulo com o recém-eleito presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será institucional.
“O Lula vai ter que considerar que quase 50% da arrecadação do País vem de São Paulo. Mas independente desse fator, acho que Lula e Alckmin vão ter um bom relacionamento. O povo de São Paulo não está filiado nem ao PT e nem ao PSDBâ€, destaca.
Para os próximos quatro anos de governo, o parlamentar prevê que o governador vai trabalhar e colocar a máquina do Estado para gerar empregos. “Ele vai implantar as faculdades de tecnologia, fomentar os galpões de agronegócios. O Poder Público não cria empregos. Ele cria condições para a iniciativa privada.â€
No âmbito regional, Tobias afirma que as prioridades são a conclusão do novo aeroporto, com a duplicação da rodovia Bauru-Iacanga até o trevo de acesso; a duplicação da rodovia Bauru-Marília e a iluminação da Marechal Rondon no seu trecho urbano, além de operacionalizar o novo Hospital Estadual do Município.
Erros
Para Tobias, dois motivos impediram que a candidatura de José Serra, que disputou a Presidência da República pelo PSDB, decolasse e tivesse alguma chance de emplacar junto ao eleitorado.
“Primeiro, a escolha de Serra foi muita traumática. Gerou feridas internas, no próprio PSDB, e externas. Segundo: o programa de televisão foi muito intelectualizado e sem emoção. Essa eleição foi emocional e não racionalâ€, analisa.
O tucano acha que o marqueteiro de Lula, Duda Mendonça, foi mais inteligente que o comando da campanha de Serra. “O programa do Lula mostrou emoção. Infelizmente, os programas de televisão de Serra foram frios, técnicos. Isso atrapalhou.â€
Sobre a movimentação dos tucanos da Região Nordeste que reivindicam o deslocamento do poder do PSDB, encabeçados pelo governador do Ceará, Tasso Jereissati, o deputado avalia como imoral.
“O Tasso não tem moral para reivindicar nada. Ele foi um quinta coluna. Apoiou o Ciro Gomes. Está sem moral e prestígio porque não vestiu a camisa do PSDBâ€, critica.