Política

Estela: "Lula não é salvador da Pátria"

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

A presidente licenciada da executiva municipal do PT, Estela Almagro, comemora a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República, mas avisa: “Não podemos ter a ilusão de que o Lula será o salvador da Pátria”.

A petista avalia que não se pode esperar do novo presidente a solução imediata de todos os problemas econômicos e sociais vividos pelo País. “Ele não vai fazer milagres, mas vai fazer muitas coisas que já poderiam ter sido feitas nos últimos 20 anos”, garante.

Estela acredita que Lula vai primar pelo social e pelos milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha pobreza. “A rede social que o Lula deverá implantar num curto espaço de tempo tende a beneficiar grande parcela da população que hoje está alijada de educação, saúde e emprego.”

Para a dirigente licenciada do PT, a eleição do maior líder do partido à Presidência da República foi avalizada pela palavra mudança.

Ela está convencida de que o novo governo vai fomentar o crescimento econômico do País para reinserir no mercado de consumo milhões de pessoas carentes de emprego e de outras demandas básicas de sobrevivência, como casa própria, saúde e alimentação.

“A sociedade pode esperar isso do Lula, mas vai ter que ter paciência, sem imaginar que tudo será resolvido a curtíssimo prazo. As grandes medidas deverão acontecer no curso do primeiro ano até o segundo ano de governo. E vão render bons frutos a partir do terceiro e quarto anos de governos”, prevê.

Sobre as indicações para o preenchimento dos cargos de confiança das representações do governo federal em Bauru, Estela informa que o partido começará a discutir o assunto na próxima semana.

“As indicações serão embasadas em critérios e não serão aleatórias. Elas também vão passar por um critério político e de qualificação profissional.”

Modelo esgotado

Para o vereador José Carlos Batata (PT), a eleição de Lula à Presidência da República significa o esgotamento do modelo econômico imposto pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo PSDB.

“O modelo econômico neoliberal está falido. A eleição de Lula significa o rompimento com esse modelo. Esse governo vai resgatar o ser humano, vai colocá-lo no centro das atenções e não mais o capital, como acontece hoje”, vislumbra.

A exemplo de Estela, Batata também prevê que não ocorrerá uma “mudança abrupta” no atual sistema econômico e social do País. “Uma mudança desse tipo geraria conflitos. A mudança será gradativa. Ninguém faz milagres da noite para o dia”, analisa.

O parlamentar acredita que a missão do novo presidente da República será a construção do “alicerce para a mudança”. “Concretamente, a mudança só vai ocorrer nesse País, da forma como nós queremos, daqui a dez, 20 anos. É uma mudança de gerações.”

O vereador defende para já a reforma tributária que, segundo ele, vai fazer com que o Brasil cresça do ponto de vista econômico e de geração de empregos. “A reforma será um grande passo para a mudança.”

O petista avalia que é preciso desonerar a produção, ou seja, retirar a carga tributária do setor produtivo. “Com isso, o setor terá mais fôlego para investimentos e geração de novos empregos”, opina.

Batata afirma que deve se configurar um crescimento econômico de 4% a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) a partir do segundo ano do governo Lula.

“Nós vamos ter que fazer uma reforma agrária para que as pessoas que produzem no campo possam ter mais liberdade, mais crédito e possam plantar efetivamente.”

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“Primeira vez”

A derrota do candidato José Genoíno (PT) ao governo do Estado não estragou a festa dos petistas em Bauru. A presidente licenciada da executiva municipal do PT, Estela Almagro, destaca que pela primeira vez o partido conseguiu chegar ao segundo turno das eleições no Estado.

Para ela, essa conquista tem sabor de vitória. “Saímos satisfeito com a performance do Genoíno. Ele tinha 4% das pesquisas no início da campanha. Cresceu e foi para o segundo turno. Isso para nós é histórico”, comenta.

A dirigente petista lembra que a candidatura de Genoíno tinha como grande adversário a estrutura do governo do Estado. “Não era o candidato Genoíno contra o candidato Geraldo Alckmin. Era contra o candidato Geraldo com a máquina do Estado nas mãos”, reforça.

Estela entende que o resultado da eleição não deve ser lamentado e nem questionado. “Embora contestamos o uso da máquina, a gente aceita o resultado da eleição. Afinal, foi o eleitor quem escolheu dessa forma”, diz.

A petista, porém, visualiza que o PT vai conquistar o governo do Estado na próxima eleição, agendada para 2006. “Seja com Genoíno, com o deputado federal José Dirceu ou com outros nomes.”

Segundo ela, ainda é cedo para afirmar se Genoíno vai ocupar algum cargo de destaque no governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Essa é uma discussão delicada. Não dá para dizer se ele vai ser aproveitado pelo Lula. Mas certamente ele será o nome do Estado de São Paulo, junto com José Dirceu e Aloisio Mercadante, no governo Lula.”

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