Os avanços no tratamento da infertilidade e técnicas de reprodução assistida foram abordados no sábado durante a 2.ª Jornada de Reprodução Humana de Bauru. O evento contou com cerca de 80 inscritos para três palestras realizadas no salão nobre da Faculdade de Odontologia (FOB/USP).
Um dos primeiros a trabalhar com bebês de proveta no Brasil, o embriologista Dirceu Henrique Mendes Pereira abordou a evolução dos medicamentos que induzem a ovulação na mulher. Segundo ele, de 1930 para cá, a indústria farmacêutica aperfeiçoou muito essas drogas.
Elas são usadas para aumentar o número de óvulos maduros num único ciclo. O normal é que o organismo amadureça apenas um óvulo por mês. Quando o casal tem dificuldade em engravidar, os médicos optam por induzir a liberação de um número maior destas células.
A segunda palestra foi coordenada pelo ginecologista Joji Ueno, que falou sobre as vantagens da vídeo-laparoscopia e vídeo-histeroscopia no combate à infertilidade. Trata-se de duas técnicas cirúrgicas que dispensam as grandes incisões, ou seja, permitem operar cistos e outras patologias com procedimentos minimamente invasivos.
Já o coordenador do Núcleo de Reprodução Humana da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Renato Fraietta, veio comentar as técnicas usadas atualmente em homens que não têm espermatozóides por algum distúrbio orgânico.
Para estes pacientes, os médicos podem contar com uma técnica que captura os espermatozóides ainda nos testículos ou no epidídimo. A fertilização é feita posteriormente in-vitro ou pelo método Icsi.
De acordo com o urologista Aguinaldo Nardi, que organizou o evento em Bauru, o ser humano é um dos animais mais inférteis da natureza. “Um casal sadio, sem problemas com infertilidade, tem apenas 30% de chance de engravidar numa relação sexualâ€, afirma.
Segundo ele, as técnicas de reprodução assistida apenas imitam a natureza, pulando etapas e dando uma “ajuda†para aqueles que não obtêm bons resultados na relação convencional.
“A primeira técnica que usamos (quando não há nenhuma doença causando a infertilidade) é a de orientação. Alguns casais não conseguem a gravidez porque mantêm relações sexuais de maneira errada. Então, nós orientamos a mulher a observar seu ciclo menstrual, a identificar seu período fértil, a não usar lubrificantes artificiais - que podem dificultar o deslocamento dos espermatozóides, entre outros cuidadosâ€, observa.
Quando a orientação não basta, o profissional pode optar pelo método do coito programado. O médico administra medicamentos que induzem a ovulação e acompanha o ciclo por ultrassonografia. Assim, pode-se determinar com exatidão o dia fértil da mulher, programando o período em que o casal deve manter as relações sexuais.
Outro método é a inseminação intra-uterina. Nestes casos, utiliza-se a técnica de coleta dos espermatozóides. No laboratório, o profissional separa os bons (que têm mais chance de fecundar o óvulo) e injeta diretamente no útero, também acompanhando o período fértil.
“Se isso não dá resultado, podemos fazer a fertilização in-vitro. Você coleta os óvulos (após a administração dos medicamentos de indução) e os espermatozóides. Depois, coloca-os juntos num mesmo ambiente e aguarda que um espermatozóide consiga promover a fecundaçãoâ€, conta.
Quando nenhum destes métodos dá certo, o casal pode contar ainda com uma técnica chamada Icsi. Como na fertilização in-vitro, o médico coleta os óvulos e espermatozóides. Só que ao invés de deixá-los juntos e aguardar, o profissional usa um equipamento com uma agulha muito fina que coloca o espermatozóide diretamente no núcleo do óvulo. Depois, o embrião é implantado no útero.
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Ao alcance de todos
Indagado sobre o custo do tratamento em reprodução assistida, o urologista Aguinaldo Nardi informa que depende do caso. Segundo ele, um casal que só precisa de orientação vai gastar apenas o valor de uma consulta médica.
Depois, vai depender do tipo de técnica e exames que serão utilizados. “O casal vai gastar R$ 700,00 com uma inseminação intra-uterina, ou pode gastar R$ 4 mil por um ciclo de Icsiâ€, ressalta.
Nardi salienta, porém, que há pouco mais de um ano, a clínica Gestar fez uma parceria com a Maternidade Santa Izabel para oferecer o tratamento gratuitamente para a população de baixa renda. “Afinal, os casais carentes têm os mesmos direitos que os mais favorecidosâ€, alega.
De agosto de 2001 até agora, o projeto atendeu 170 casais, com cirurgias de reversão para vasectomia e laqueadura e outros procedimentos. Só o método Icsi, por ser mais caro, é que é restrito a apenas dois casais por mês.
O médico explica que os casais interessados devem marcar uma consulta em um posto de saúde. O ginecologista fará a avaliação e os tratamentos convencionais. Somente se isso não der certo é que o casal é encaminhado ao projeto. Então, eles passarão por entrevistas com psicólogos e assistentes sociais, que farão uma triagem para o atendimento.