Está a sociedade descrente de que possam os governos federal, estaduais e municipais estancar em tempo breve a drástica onda de violência que lhe foi atirada pelo dito crime organizado. Dá para se inferir isso julgando-se pela debilidade de resultados que as ações dos policiais das três órbitas têm apresentado, conforme o testemunho dos meios de comunicação, porquanto o que resulta delas, sinceramente, quase nada sobra de positivo. O que a opinião pública constata dos atuais enfrentamentos das forças policiais e militares com os trânsfugas da lei são perdas idênticas de ambas as partes, com todos expondo corajosamente suas vidas e... seja o que o destino quiser! Acontece que, além de abrir fogo contra traficantes e demais criminosos, existiriam outros terrenos nos quais as administrações oficiais poderiam pisar com firmeza para obstaculizar a criminalidade dos avantajados contingentes de meliantes, sem dúvida contumazes, existentes por aí? Não parecem existir, reinando então a convicção de que somente alguma inspiração dos céus poderá apontar caminhos realmente positivos aos denodados homens da lei. Proclamou Mahatma Gandhi, em uma de suas inteligentes lições, que o uso da violência pertinaz, como ora se verifica em tantos pontos do País, é incompatível com o amor na sua condição de lei fundamental da vida que temos a ventura de usufruir. “Quando a violência dos homens é permitida, não importa em quais circunstâncias, a lei do amor é dolorosamente traída†- destacou o grande filósofo. Ocorre, sem qualquer traço ilusório, que os governos não admitem agressões mas, por seu turno, os agressores sim, pois denotam carregar, a partir da infância, e o irradiam ostensivamente à juventude e às idades adultas, o execrável instinto da perversidade e do malogro, aquele que os induz a inexoráveis conquistas pecaminosas ao invés de arrastá-los a gestos de probidade e de respeito aos seres humanos e a aquilo que não lhes pertence. Certamente, não aprenderam, no devido tempo, a viverem honesta e fraternalmente. “Só se torna adulto aquele que aprende a olhar para além de si mesmo. E nunca envelhece aquele que não se curva apenas sobre si mesmo†- falava o nosso arcebispo Hélder Câmara a todos quantos se julgassem com a obrigação de evitar transformar-se em uma nesga de inferno, deixando de percorrer os trilhos da paz que os governos e responsáveis tentam manter desimpedidos para eles. É doloroso pensar-se que não venham a ter fim as selvagerias que vão ocorrendo não só nas periferias como nas vias públicas. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)
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