A pergunta que mais se ouve neste momento é: e agora? No curto prazo não deveremos esperar grande coisa. A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, foi soberana, dentro do mais completo espírito democrático, mas não resolve por si só. Na prática, avalio que ele terá muito mais desafios do que o atual governo. Entendo que serão maiores os desafios devido ao exagero das promessas. Elas são importantes para vencer as eleições, mas são difíceis de praticar. Por exemplo, uma coisa é prometer taxa de juros menores, controlar a inflação, controlar contas públicas, outra coisa é prometer acabar com fila nos hospitais, acabar com a fome e a exclusão de milhões.
As decisões de política econômica são tomadas nos gabinetes, “a luz da macroeconomiaâ€, já as questões de serviços ao povo, combate à fome e pobreza, envolvem as questões operacionais e sobras de recursos. Por esta ótica podemos ter dois cenários:
1- Lula efetivamente consegue se impor e, portanto, terá um dos melhores governos que o País já observou;
2- Frustração. Neste caso poderemos ter três caminhos: a) acomodação (afinal, outros já prometeram e não cumpriram); b)oposição moderada (há migração para os partidos já existentes, muito mais “lights†que o próprio PT - exceto os radicais à esquerda); e c) oposição forte. Isso pode indicar radicais à esquerda ou à direita.
Além desses cenários, temos que analisar o quadro político. O PT não tem maioria nos Estados, ou seja, terá que sentar à mesa com governadores em sua maioria da oposição. Não tem maioria para aprovar projetos no Congresso. Precisará compor rapidamente com partidos importantes como PFL (ele de novo), PSDB e PMDB (só para citar os maiores). Observará uma oposição diferente, menos radical da oposição do próprio PT.
Serão momentos e decisões importantíssimas que darão o tom do governo do Lula. É evidente que nossa torcida é para que ele efetivamente consiga fazer o que, por exemplo, FHC não conseguiu nesses oito anos.
Nesse período de transição não vejo motivos para que o mercado reaja negativamente e, se havia alguma preço da incerteza eleitoral nos ativos, esse preço pode começar a ser retirado. Uma coisa o PT irá sentir: eleições são a cada quatro anos, o mercado vota diariamente. Vamos ver o jogo de cintura. E agora? Agora é esperar. Todos devemos dar um voto de confiança para o bem desse País. (Reinaldo Cafeo é delegado do Corecon, economista e mestre em Comunicação)