A eleição de domingo já faz parte do passado. Os dirigentes partidários e lideranças políticas começam a correr contra o tempo para articular e viabilizar a disputa do pleito municipal de 2004, quando se escolherá o futuro prefeito de Bauru e os vereadores que vão compor o Poder Legislativo.
A eleição de 2004 terá um novo componente político: a possibilidade de se ter segundo turno para a escolha do chefe do Executivo da cidade. O cenário obriga os partidos a se fortalecerem através de alianças com outras legendas.
A instituição do segundo turno no município, portanto, antecipa as discussões e articulações para 2004, inaugurando a corrida sucessória em direção ao Palácio das Cerejeiras.
O PSDB disparou o processo tão logo encerrou o primeiro turno das eleições, no último dia 6. Reeleito à Assembléia Legislativa com 124 mil votos, o deputado Pedro Tobias (PSDB) tratou de marcar posição.
O tucano elogiou a performance de seu companheiro de dobrada, o empresário Caio Coube, que disputou a Câmara dos Deputados pelo PSDB e amealhou cerca de 74 mil votos. Ele não foi eleito, mas capitalizou a boa votação a seu favor.
Tobias praticamente lançou Coube à Prefeitura de Bauru, mas tomou o cuidado de não melindrar os demais prefeitáveis do partido, dentre os quais os vereadores Toninho Garmes e João Parreira, ressaltando que os tucanos tem uma boa lista de pré-candidatos.
Reforço de Alckmin
O presidente da executiva municipal do PSDB, Ricardo Carrijo, não só reconhece que o partido saiu fortalecido da última eleição em nível local como também admite que a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB), confirmada no último domingo, reforçará as pretensões do tucanato bauruense.
“Com Pedro Tobias reeleito à Assembléia, com Geraldo Alckmin no governo e com a expressiva votação do Caio, temos, agora, que nos voltarmos para as eleições de 2004â€, assume.
Carrijo, no entanto, pega carona no discurso de Tobias e aplica uma dose de jogo de cintura para evitar melindres. â€œÉ lógico que, além do Caio, temos o Toninho Garmes e o João Parreira, dois excelentes nomes e políticosâ€, pondera.
O dirigente tucano afirma que a palavra de ordem no partido, daqui para frente, é a articulação para 2004. “Precisamos ganhar mais músculos para ficarmos ainda mais fortesâ€, prega.
Ele prefere, neste momento, não adiantar as movimentações de bastidores que já estão em curso, embora somente no campo das conjecturas. “Temos que ter bons parceiros para a eleição municipal, principalmente porque vamos ter a instituição do segundo turnoâ€, lembra.
Para iniciar a discussão do assunto, o presidente da executiva municipal tucana agendou reunião do diretório para o próximo dia 9, sábado.
Candidatura própria
Além do PSDB, dirigentes e lideranças do PT também começaram a arregaçar as mangas para viabilizar o projeto político de lançar candidatura própria em 2004.
Logo após votar no último domingo, a presidente da executiva municipal do PT, Estela Almagro, anunciou que o partido começa a se preparar para o pleito municipal de 2004.
“O momento de 2004 será o momento do PTâ€, garante. Ela acha que caberá à legenda a difícil tarefa de conduzir, com habilidade, o processo sucessório municipal.
“Não basta o Lula ter chegado à Presidência da República para acharmos que as eleições municipais estarão colocadas para o partido em todas as cidades. Vamos ter que conduzir e acompanhar a nossa realidade local e criar os quadros necessários para termos uma boa bancada e a chefia dos executivos municipaisâ€, explica.
Estela prepara a pauta das discussões para o próximo mês. Mas extraoficialmente, a dirigente já mantém contatos com lideranças políticas de outros partidos.
Segundo comenta-se nos bastidores, o PPS do prefeito Nilson Costa e o PT conversam informalmente sobre a eleição municipal de 2004. A direção dos dois partidos, no entanto, não confirmam as conversações.