A vitória esmagadora de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República convenceu o petista Roque Ferreira - conhecido pelas suas posições radicais - de que a hora é de tranqüilidade para o novo governo.
Ele próprio reconhece que se deve evitar a prática da arrogância nessa nova fase que o partido inaugura chegando ao poder das decisões do País.
“Depois de vencer as eleições, agora virão outras tarefas. Isso impõe para a gente muita serenidade e tranqüilidade. Temos que evitar a arrogância. Há muito trabalho a se fazerâ€, afirma.
O sindicalista entende que os petistas devem se preocupar com projetos e propostas mais amplos, evitando se apegar a questões regionais e imediatas.
Ferreira avalia que não é o momento de se ficar discutindo a indicação de cargos regionais. “Eu acho que os militantes mais antigos do PT deveriam fazer um esforço para que as discussões do PT de Bauru e região não se canalizassem para esse caminhoâ€, prega.
O petista acha que a militância e dirigentes devem se voltar para o atendimento das reivindicações da maioria da população brasileira. “Essa é uma discussão prematura e que vai criar dificuldades para o PT da regiãoâ€, prevê.
Sem erros
Os milhões de votos encaminhados a Lula refletem, segundo o sindicalista, a necessidade de acertos para evitar a frustração da sociedade.
“Temos que dar conseqüência à aspiração desses milhões e milhões que votaram no PT. Eles votaram para encerrar um ciclo de exploração e destruição praticados pelos sucessivos governos que sempre representaram as elites do Paísâ€, diz.
Ferreira lembra que seu partido fez campanha pregando a realização de um pacto social para tentar atender as reivindicações.
“Uma coisa é o governo. Outra coisa é o partido. E outra coisa, muito diferente, são os movimentos sociais que se expressam em diversas organizações. De certa forma, todos estão com grande expectativa para o governo do Lulaâ€, analisa.
Ferreira acredita que para viabilizar o projeto social pregado pelo PT será necessário a ruptura do atual modelo econômico.
“Para tornar possível o que o Lula disse nos discursos de hoje (ontem) - que os brasileiros vão ter direito a tomar café, almoçar e jantar - só dessa forma. É preciso uma mudança substancialâ€, defende.
O dirigente sindical destaca que o País terá de pagar US$ 15 bilhões da dívida até dezembro e mais US$ 9 bilhões até março do ano que vem.
“Esse modelo imposto pelo Fundo Monetário Internacional impõe restrições. Particularmente, acredito que os movimentos populares vão ter que estar, mais do que nunca, organizados.â€
O petista diz que nos últimos 22 anos foi pregado nos movimentos sindicais, estudantis, dentre outros, que a organização era o “fermento†necessário para impulsionar as conquistas das reivindicações.
“Agora, mais do que nunca, esse nível de organização é essencial. Vamos ter milhões e milhões de trabalhadores com essa expectativa, mesmo com consciência de que para atingir esses objetivos vamos ter que esperar um largo período de tempoâ€, diz.
Ferreira afirma que há setores da sociedade que vão tentar manter seus privilégios. “Privilégios que são extraídos da miséria e da exclusão de milhões e milhões. Vai haver um momento de disputa. Os movimentos vão ter que manter a independência em relação ao governo.â€