Bairros

Desperdício de água poderá ter multa

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Os vereadores devem votar, na sessão da Câmara Municipal de hoje, o projeto de lei que prevê multa para quem desperdiçar água potável em épocas de crise no abastecimento, como a atual. Com a queda do nível do rio Batalha, que abastece 43% de Bauru, a cidade enfrenta rodízio no fornecimento desde o último dia 7. Ontem, a Vila Cardia e o Jardim América estavam sem água.

Se o projeto for aprovado, o consumidor flagrado pelo fiscal lavando calçada com jato d’água, lavando veículo, molhando a rua continuamente ou não consertar vazamento e manter torneira aberta, entre outras situações, estará sujeito a multa de 25% do valor consumido no mês.

Na reincidência, a multa sobe para 50% da conta de água do mês. O autor do projeto, o vereador e ambientalista Rodrigo Agostinho (PMDB), ressalta que apenas a instituição da multa para o desperdício não resolverá o problema de falta de água, sendo necessária a adoção de outras medidas.

“A multa, por si só, não é solução para a falta d’água, até porque o fiscal não pode entrar nas residências para fiscalizar o consumo, mas vai minimizar o problema porque é uma forma de conscientizar a população a fazer economia. Para resolver o problema é preciso que o DAE (Departamento de Água e Esgoto) invista mais no setor e os rios sejam recuperados”, afirma.

O presidente do DAE, Luiz Augusto de Castro, informou, através de sua assessoria, que é favorável à imposição de multa para desperdício de água em épocas de desabastecimento. “Hoje, mesmo faltando água e recebendo denúncias, o DAE não pode fazer nada a não ser solicitar à pessoa que está desperdiçando que mude de atitude”, conta Sandra Faria, assessoria de imprensa da autarquia.

Recentemente, segundo ela, após receber várias denúncias, um funcionário do DAE tentou convencer um senhor a parar de molhar o asfalto no Jardim Estoril, mas não obteve êxito. “O funcionário explicou que está faltando água na cidade, pediu, mas foi ignorado pelo senhor”, relata.

Além da multa, o projeto original, protocolado na Câmara em junho deste ano, previa o corte no abastecimento de água em caso de reincidência do desperdício. Porém, o vereador retirou o artigo que previa essa punição, por ser polêmica. “A água é um bem de necessidade pública e muitas pessoas consideram que o corte é ilegal”, conta Rodrigo.

O projeto de lei autoriza o poder público a fiscalizar o desperdício de água em toda a cidade, mas não especifica se é preciso a comprovação do ato com foto ou testemunha. Rodrigo afirma que, se o projeto for aprovado, a fiscalização será regulamentada posteriormente.

Co-autor do projeto, o vereador José Humberto Santana (PV) afirma que o objetivo não é a multa, mas sim a conscientização. â€œÉ um projeto um pouco rigoroso, mas é uma maneira das pessoas se conscientizarem que precisam economizar. Apenas 1,5% de toda água do planeta é potável”, diz ele, que espera a propositura de emendas.

Para tornar-se lei, o projeto precisa ser aprovado na Câmara, por maioria simples, em primeira e segunda votação. Após aprovada, para a lei entrar em vigor é necessária receber a sanção do prefeito e ser publicada.

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Confira trechos do projeto

• Em caso de risco grave ou iminente de desabastecimento parcial ou total de água será decretado estado de alerta

• Em estado de alerta, o poder público fica autorizado a determinar a fiscalização em toda a cidade com o objetivo de constatar desperdício da água distribuída

• Ao verificar uso inadequado, perda e desperdício de água, o fiscal advertirá o consumidor

• Constatada a persistência do desperdício, será aplicada multa de 25% do valor consumido pelo munícipe no mês corrente

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Rodízio continua

O rodízio de água continua em Bauru. O nível do rio Batalha continua baixo - oscilando entre 27 e 28 centímetros enquanto o normal é 50 centímetros - e os reservatórios estavam com pouca água ontem, de acordo com a assessoria de imprensa do DAE.

Uma das duas bombas mantidas em funcionamento para retirar água do Batalha precisou ser desligada na madrugada e manhã de ontem porque o nível do rio caiu mais - a terceira bomba está desligada desde o início do mês.

Ontem, os bairros mais atingidos, de acordo com o DAE, foram a Vila Cardia e o Jardim América. Quatro caminhões-pipa estão abastecendo as regiões atingidas, priorizando creches, escolas, clínicas e demais órgãos públicos.

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