Política

Diretor se diz bode expiatório

Da Redação
| Tempo de leitura: 5 min

O ex-diretor administrativo da Câmara Municipal de Bauru, Luiz Renato Joel, se colocou como bode expiatório no caso da compra de um equipamento data-show, que está sob investigação do Ministério Público por suposto superfaturamento. Joel negou que tenha falsificado assinaturas de empresas participantes do processo de licitação e afirmou que não fez nada além do que seu cargo exigia no processo.

Ele não apontou culpados nem levantou suspeição sobre a compra do material por um preço acima do praticado no mercado.

Ao lado do advogado Cláudio Bahia, Joel afirmou que em nenhum momento durante o processo trabalhou com a hipótese de superfaturamento. “Quando a empresa devolveu o dinheiro, inclusive no dia em que ela devolveu, eu nem estava em Bauru. Achei estranho, mas o processo passou por uma comissão e ninguém levantou essa possibilidade lá atrás”, afirmou. “Eu não sei se haveria superfaturamento ou se a empresa devolveu com medo de alguma represália”, emendou.

Renato Joel disse desconhecer a ação em andamento no Fórum de Bauru. Ele argumenta que saiu totalmente do processo a partir do momento em que a empresa devolveu o dinheiro, atitude que, segundo ele, o pegou de surpresa.

Indagado sobre o fato de o promotor Fernando Masseli Helene argumentar que a reserva de R$ 21 mil para a compra do data-show feita por ele, seria superfaturada, Renato Joel definiu a questão como técnica. Ele explicou que o objetivo da reserva é saber se há verba. O valor listado não implica necessariamente que ele será gasto.

Joel citou como exemplo obras de reforma da Câmara Municipal, onde foi feita uma reserva de R$ 65 mil. “E está se gastando R$ 42 mil. Por que esta não está sendo considerada superestimada?”, questiona.

Para o advogado Cláudio Bahia, a questão da verba reservada ter sido considerada superfaturada é algo precipitado. “Não é algo vinculativo. É apenas estimativa. Pode ser superada essa estimativa e aí se cancela o processo licitatório e tem que abrir outro para deixar reserva, ou então pode gastar menos daquilo que foi separado para fazer compra.”

Sobre o fato de o promotor também alegar que seis meses após a compra houve uma nova consulta a outras empresas e teria se chegado a um valor 50% menor do que foi pago pela Câmara, Joel estranhou. “Essa consulta foi feita pelo promotor e pelo Nelson Gonçalves (presidente da Comissão de Licitação). Acho estranho, principalmente por se tratar do presidente da Comissão de Licitação.”

Assinaturas falsificadas

Renato Joel afirmou mais de uma vez que não falsificou qualquer assinatura no processo. Um exame grafotécnico, segundo ele, indicará isso. Joel não desconfia de quem possa ter assinado os documentos.

Ele justificou o fato ao “entra e sai” da sala. “A pessoa chega e fala eu sou da empresa tal, vim pegar um documento. Você entrega e a pessoa assina. Quando é documento que não exige assinatura, você nem verifica. Isso não é só no meu departamento. Se você for no Departamento de Apoio Legislativo, o pessoal vai buscar cópia de lei, assina e não põe RG, não põe nada. Se você for na Diretoria Financeira, o pessoal vai receber, também não coloca RG, não coloca nada. É uma maneira que a Câmara sempre trabalhou”, justificou.

Joel não arriscou dizer quem estaria por traz das supostas irregularidades praticadas durante a compra do data-show nem porque seu nome teria sido envolvido no caso. O promotor denunciou que todo o processo foi montado sob sua responsabilidade, inclusive a escolha das empresas convidadas. Joel afirmou, no entanto, que todo processo passou pela Comissão de Licitação. “Acima de R$ 8 mil, toda compra é feita através de processo de licitação que a comissão analisa, dá parecer e o presidente acata ou não. Não é a minha posição que ele acata. É da Comissão de Licitação.”

Joel ainda disse que não é político, é funcionário de carreira (trabalha há 16 anos na Câmara Municipal) e tem nome e família a zelar. “Não vejo como política nem como perseguição. Levantaram uma coisa que poderia estar errada, só que eu acho que poderiam ter conversado, ter pensado numa solução mais plausível”, afirmou. “Agora, é a tal história, tudo o que está acontecendo vem o meu nome por trás. Se tem uma questão política de alguém querendo a presidência da Câmara, não posso dizer. Me sinto um bode expiatório.”

Renato Joel repetiu várias vezes que o caso passou pela Comissão de Licitação, órgão técnico especializado para efetuar a compra. Para ele, o caso poderia e deveria ter sido avaliado mais friamente. “A gente não teve direito de defesa. A defesa vai ser agora.”

Renato Joel está convicto de que não cometeu nenhuma irregularidade. Sobre o resultado final da sindicância, Joel disse que não gostaria que ninguém pagasse por um erro que não cometeu. “Não quero ter uma punição por uma coisa que não fiz. Só espero que eu consiga provar.”

Para o advogado Cláudio Bahia, todo esse processo, apesar das conseqüências, tem um lado salutar. “A gente tem que entender que Bauru enfrentou nos últimos anos situações conturbadas, com inúmeras denúncias. Nada mais correto de que seja investigado. O que não pode é que antes de apurada, feita a defesa, se determine a culpabilidade de uma pessoa ou de outras. Podem ter existido algumas falhas em razão da ausência de um roteiro determinado, falhas administrativas internas da Câmara. Mas vamos provar que não houve dolo nem má fé.”

Comentários

Comentários