A tarifa de ônibus circulares deve subir para R$ 1,20. Este é o valor que será sugerido pelo Conselho de Usuários do Transporte Coletivo e Urbano de Bauru ao prefeito Nilson Costa (PPS) e que deve ser acatado, já que coincide com o índice de alta previsto pelo próprio chefe do Executivo, após avaliação de estudo desenvolvido Emdurb.
Ontem à noite, o conselho se reuniu para analisar o pedido de reajuste da tarifa no transporte coletivo urbano. Dos seus 15 integrantes, seis consideram que os usuários de Bauru têm como suportar um aumento máximo de 20%. A decisão deles constituiu maioria porque outras propostas foram apresentadas e votadas.
A ata do encontro será encaminhada hoje ao gabinete do prefeito, que vai decidir se aceita a proposta do conselho, que é consultivo, ou as da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que previam alta entre R$ 1,22 a R$ 1,28.
Contudo, Nilson Costa já adiantou que considera o reajuste proposto legítimo, já que a tarifa foi elevada em apenas 11% nos últimos quatro anos. “A alta vai nos ajudar a conter o desequilíbrio na Câmara de Compensação Tarifária. Além disso, o valor cobrado em Bauru é um dos mais baixos em comparação a outras cidades de médio porteâ€, explica o prefeito.
De acordo com ele, até o início da próxima semana, a nova tarifa já estará definida. A partir da decisão, os usuários terão um mês para adquirir os passes com o preço atual.
Apesar de seu posicionamento favorável ao reajuste de 20%, o prefeito garantiu que vai reanalisar a manifestação do conselho e o relatório da Emdurb.
Conforme matéria publicada na edição de ontem pelo JC, a empresa encaminhou ao conselho um estudo que projeta uma tarifa média de R$ 1,25 para a redução parcial em 18 meses do déficit de mais de R$ 4,4 milhões na Câmara de Compensação Tarifária (CCT).
Com o mesmo propósito, a empresa também aprentou outras duas opções. Uma que prevê o reajuste da tarifa para R$ 1,28. Através do valor, as despesas da CCT poderiam ser reduzidas em 12 meses. Outra alternativa sugere uma tarifa de R$ 1,22, com prazo de 24 meses para a queda da dívida.
Entretanto, o presidente do conselho, Rubens de Souza, ressalta que durante o período de vigência dos novos valores, a nova tarifa estaria sujeita a outros reajustes, caso os custos com combustível, dissídios de funcionários entre outros insumos, sejam elevados.
Outras propostas
Além das projeções da Emdurb que não foram aprovadas, os membros do Conselho de Usuários também estudaram outras propostas. Uma delas, apresentada pelo representante da Câmara Municipal Marcelo Malacrida, previa o não-reajuste da tarifa. Na opinião dele, a alta deveria ser melhor estudada, assim como o sistema de transporte coletivo. A idéia era proteger o usuário de novos gastos.
Concordaram com ele os representantes da Federação da União das Associações de Moradores de Bauru e Região, Avelino de Souza, da União Municipal dos Estudantes Secundaristas, Rafael Gomes de Jesus, e o do Diretório Central dos Estudantes do 3º Grau, André Luís de Oliveira Mateus.
Uma outra alternativa previa sugerir ao Executivo um aumento de 10%, valor referente à inflação de 6%, mais 4%. Em sua própria defesa, a União das Associações de Moradores alegou que os usuários não obtiveram aumento em seus rendimentos.
Na opinião da entidade, todas as tarifas e encargos públicos deveriam acompanhar esse critério, de maneira a não lesar a população. Porém, a idéia recebeu apenas um voto, que foi da Federação da União da Associação dos Moradores.
Uma outra alternativa que também recebeu apoio único foi aquela proposta por Luiz Gonzaga Ferreira, representante da Diocese do Divino Espírito Santo. Para ele, o aumento viável seria de 15%, também em decorrência da inflação.
A posição vencedora recebeu o apoio dos representantes do Sindicato dos Contabilistas, Antônio Carlos de Quadros, da prefeitura, Marcos Roberto da Costa, do Sindicato das Empresas de Carga de Bauru (SindBru), Gilberto Fígaro Vieira, do Sindicato dos Taxistas, Waldir Faria Freitas, da Associação dos Condutores Escolares, Vítor Moreira Tallão e da União da Associação dos Moradores, Reinaldo Fátima de Lima.
O presidente do Conselho dos Usuários, Rubens de Souza, não votou porque só manifesta sua posição oficialmente em caso de empate de propostas, contudo aproveitou o encontro para cobrar a modelagem do transporte coletivo, que inclui o passe integração e bilhetagem eletrônica, para o início de 2003.