Economia & Negócios

Sem Banco do Povo, baixa renda perde linha de crédito

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A falta de uma unidade do Banco do Povo em Bauru impossibilitará o acesso de famílias de baixa renda ao programa Pró Lar. Direcionado a famílias com renda de até R$ 1 mil (ou cinco salários mínimos), o programa foi criado pelo Governo de São Paulo, através de decreto, e será utilizado para financiar material de construção destinado à reforma, conclusão ou ampliação de imóvel.

O empréstimo máximo será de R$ 5 mil, para ser pago em até dois anos, sem juros, mas com correção monetária pela Taxa Referencial (TR). A previsão é de que o programa seja disponibilizado até o final do próximo mês, com recursos iniciais de R$ 35 milhões, e que deve beneficiar pelo menos 15 mil famílias já no primeiro ano de operação.

De acordo com o diretor adjunto do Banco do Povo estadual, Gilberto Mendina, o único agente financeiro do Pró Lar será o Banco do Povo. O Banco Nossa Caixa, que também é parceiro do projeto, terá a função de cadastrar as lojas de materiais de construção em cada cidade que receberá o programa. “O Pró Lar só será oferecido em cidades que possuem Banco do Povo”, afirma Mendina.

O diretor da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert) em Bauru - que administra as 12 unidades do Banco do Povo existentes em municípios da região -, Alexandre Ciro Perin Bertoni, lamenta o fato e critica a morosidade da Prefeitura Municipal em se empenhar para resolver a situação.

“Temos 12 unidades do banco na região compreendida pela Sert. É muito triste que em Bauru o Banco do Povo ainda não tenha sido instalado. Poderíamos estar ajudando muitas pessoas”, observa Bertoni.

Interesse

Segundo ele, em março de 2001, quando o então secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho, Walter Bareli, esteve em Bauru, a Sert colocou à disposição da prefeitura um espaço dentro da própria sede da secretaria para a instalação do Banco do Povo.

“O atual secretário estadual, Fernando Leça, já convidou o prefeito Nilson Costa para ir até São Paulo conversar sobre a implantação do banco. Mas infelizmente, as atitudes do prefeito levam a crer que não existe um verdadeiro interesse nisso,”, diz Bertoni.

O diretor da Sert explica que, para funcionar em Bauru, a unidade do banco precisaria de cinco agentes de crédito. Para isso, cerca de 15 funcionários da prefeitura precisariam ser encaminhados a São Paulo para passar pelo processo de seleção coordenado pelo Programa de Formação de Agentes de Crédito (Profac).

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Expansão

O diretor da Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho (Sert) em Bauru, Alexandre Ciro Perin Bertoni, conta que quando assumiu o cargo, em novembro de 2000, existiam apenas três unidades do Banco do Povo na região. Atualmente são 12 unidades, instaladas em Agudos, Lins, Piratininga, Pederneiras, Dois Córregos, Barra Bonita, Macatuba, Bariri, Mineiros do Tietê, Promissão, Cafelândia e Lençóis Paulista.

â€œÉ lamentável que uma cidade do porte de Bauru ainda não tenha uma unidade, porque a liberação dos empréstimos é permitida apenas para moradores dos municípios onde o banco está instalado”, lamenta Bertoni.

De acordo com ele, a unidade de Lins foi a 12ª inaugurada em todo o estado de São Paulo, em junho de 1999, e já emprestou mais de R$ 1 milhão. Os juros cobrados nas operações são de apenas 1% ao mês. Em todo o estado existem 270 unidades do Banco do Povo. Em Bauru, o montante inicial destinado à liberação de crédito seria de R$ 1 milhão, segundo Bertoni.

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